Quando eu era criança, da idade dos meus filhos, cerca de cinco anos, eu morava no interior, uma pequena e saudosa cidade chamada Herval do Sul. Lá, naquele tempo, o circo era uma gostosa diversão e sempre que tinha um circo na cidade, tornava-se o programão de todos. Eu, minha irmã e as amigas brincávamos de circo e sempre brigávamos para ser a artista principal do circo que aos nossos olhos era a mais bela mulher. Nosso trapézio eram as árvores. Apesar de pequena me lembro muito bem. Certa vez, num destes circos itinerantes, uma das atrações, um touro, fugiu. Lembro-me da correria e dos meus pais pegando apressadamente eu e a minha irmã que insistia em voltar para buscar sua almofada favorita que sempre levava para sentar nas arquibancadas. Geralmente, o circo ficava muito perto da nossa casa, só tínhamos que atravessar a rua. Mas lembrança de criança pequena é assim mesmo, toma proporções bem grandiosas e o simples touro para nós era um monstro a solta na cidade. Toda esta lembrança sobre circo me veio à tona porque há algumas semanas eu, meu pai e meus filhos fomos ao circo. Os circos perderam muito do glamour antigo, mas desta vez, ao contrário de um que fomos quando as crianças eram menores, mais rico e mais interessante. Meus filhos gostaram um pouco dos palhaços, mas só queriam saber mesmo do globo da morte (última atração) e do Homem-aranha (um trapezista vestido de homem aranha). Os tempos são outros mesmo, e para nossas atuais crianças televisivas, somente assim mesmo para manterem o interesse deles até o final. Nenhum animal nem doméstico, tão pouco selvagem! Conforme lei municipal de Porto Alegre, é completamente proibido animais em circo. Eles estavam lá, magros e tristes guardados no terreno e até podiam ser vistos gratuitamente, mas no picadeiro, pelo menos em Porto Alegre, nem pensar!Para nós do tempo antigo, a princípio pode parecer que fique sem graça, porém refletindo e pesquisando sobre o assunto, descobri que animais e circos são uma combinação triste e cruel. Descobri que antes de chegarem ao Circo, os animais selvagens passam por meses de tortura. São amarrados sentados, numa jaula onde não podem se mexer, para que o peso comprima os órgãos internos e cause dor. Levam surras diárias, ficam sobre seus próprios excrementos, até que seu espírito seja quebrado, e passem a obedecer; Os elefantes se comunicam, vivem em grupos com papéis sociais definidos. São extremamente inteligentes. Ficam de luto por seus mortos e são capazes de reconhecer um familiar, mesmo tendo sido separados deles quando filhotes. Sofrem de problemas nas patas por falta de exercício, pois na natureza elefantes andam dezenas de quilômetros diariamente. No Circo os elefantes permanecem acorrentados o tempo inteiro. Mexer constantemente a cabeça é uma das características de neurose de cativeiro; Os grandes felinos são acorrentados a seus pedestais e as cordas são enroladas em suas gargantas para que tenham a sensação de estarem sendo sufocados. São dominados pelo fogo e pelo chicote, golpeados com barras de ferro e queimados na testa, pelo menos, uma vez na vida, para que não se esqueçam da dor. Muitos têm suas garras arrancadas e as presas extraídas ou serradas. Eles passam a maior parte de suas vidas, dentro de pequenas jaulas. Têm o nariz quebrado durante o treinamento. Suas patas são queimadas, para forçá-los a ficar sobre duas patas. São obrigados a pisar em chapas de metal incandescente ao som de uma determinada música. No picadeiro, então, os ursos ouvem a mesma música usada durante o treinamento e começam a se movimentar, dando a impressão de estar dançando. Muitos têm as garras e presas arrancadas. Já foi constatado um urso com 1/3 de sua língua cortada. Ursos cativos apresentam comportamento atípico, como andar de um lado para o outro. Alguns ursos se auto-mutilam, batendo com a cabeça nas grades da jaula e mordendo as próprias patas. Estão sujeitos aos clássicos instrumentos de treinamento: choques elétricos, chicotadas, privação de água e comida. Ficam confinados sem as mínimas condições de higiene, sujeito à diversas doenças. Não têm férias nem assistência veterinária adequada. São obrigados a suportar mudanças climáticas bruscas, viajar milhares de quilômetros sem descanso.
Se por um minuto pensei que os circos de outrora fossem melhores porque tinham animais selvagens, foi só um pensamento momentâneo adocicado pelas boas lembranças da infância e pela ignorância positiva que ás vezes estas lembranças podem gerar. Sinceramente, espero que esta lei municipal (válida em apenas algumas cidades brasileiras) se estenda para o país e o mundo inteiro.
Espera-se que uma evolução positiva da humanidade deva significar que à medida que o tempo passa evoluiremos para um mundo melhor, onde não precisamos pagar diversões para assistir o domínio do homem pelo selvagem. Vamos, então, lutar para dar aos nossos filhos momentos doces para se lembrarem envolvendo valores positivos globais, como a preservação e cuidados com o mundo animal.
PARA SABER MAIS
http://animaisdecirco.freeservers.com/ http://suipa.org.br/alerj.htm
http://www.aila.org.br/Circo.htm
http://www.circuses.com/http://www.apasfa.org/futuro/elefante.shtm
http://www.animalsvoice.com/PAGES/archive/circus.html
http://animaisdecirco.freeservers.com/ http://suipa.org.br/alerj.htm
http://www.aila.org.br/Circo.htm
http://www.circuses.com/http://www.apasfa.org/futuro/elefante.shtm
http://www.animalsvoice.com/PAGES/archive/circus.html
EM VEZ DE LEVAR SEUS FILHOS A CIRCOS COM ANIMAIS,
VISITE UM SANTUÁRIO PARA ANIMAIS DE CIRCOS.
DESSA FORMA VOCÊ ESTARÁ AJUDANDO
OS ANIMAIS DE CIRCO QUE FORAM RESGATADOS.
O Santuário Rancho dos Gnomos em Cotia - SP promove visitas monitoradas.
Para mais informações, visite o web site:
http://www.ranchodosgnomos.org.br
CIRCO LEGAL NÃO TEM ANIMAL










1 comentários:
oi Amiga, lendo seu texto, lembrei de uma peça teatral que está acontecendo aqui na cidade, como parte do festival de cinema infantil, a peça "O Grande Circo da Ilusão", que conta a história da amizade entre um menino cego e uma menina triste que nunca sonhou!
trata do tema da inclusão social e faz um resgate da memória dos artistas circenses tradicionais, como o faquir e a mulher barbada.
o espetáculo fica aqui em Curitiba até dia 11/11
maiores informações
http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&id=705875&tit=Peca-de-teatro-explora-o-universo-do-circo
beijos,
Simone
Postar um comentário