23 de Abril de 2007

Einstein teve tempo para brincar...

... e nossos filhos, será que eles têm tido?
Esta tem sido uma pergunta que nós temos nos feito, acho que mais ainda com a história do Vinícius repercutindo no coração de todas. Será que temos dado a eles tempo de serem crianças, pura e simplesmente crianças? De que vale sermos generais (como disse a Karim), de que vale ficarmos gerenciando a rotina de nossos filhos?
Nós, as mães do sul e Japão, temos pensado nisto nas nossas conversas on line e hoje resolvi fazer minha estréia no blog do Desabafo comentando o começo de uma idéia que achei bárbara e a cara das mães que compõem este espaço cultural.
Vejam como as coisas acontecem no mundo virtual: eu escrevi no meu blog sobre uma entrevista (que li) da PhD em educação Kathy Hirsh-Pasek e a Andréa (de São José dos Campos, SP) leu e ficou ligada. Ela comprou o livro Einstein teve tempo para brincar, da Kathy e outras duas PhDs (Diane Eyer e Roberta Michinick Golinkoff) e me indicou num e-mail. Estava uma pechincha na internet e comprei também, indicando para Aline (Novo Hamburgo, RS). A Aline teve a idéia de todas comprarmos o livro e começarmos um grupo de discussão entre nós, mães do sul, sobre a importância de brincar. A Simone (Curitiba, PR), que também comprou entusiasmada o livro, começou um fórum de discussão falando sobre as idéias que temos atualmente (antes de lermos o livro e sermos "conaminados" por ele!) sobre o brincar e a educação. Acabamos todas relembrando a infância. Achei ótimo, pois o objetivo é este, conhecer as outras mães, reconhecer diferenças e semelhanças e assim contribuir para o Desabafo ficar mais plural, mais amplo, melhor.
Creio que será uma ótima discussão, enriquecedora e terna, como todas as mães do grupo são. Aline tem muito a contar da interação dos seus trigêmeos, eu dos meus meninos cientistas, Simone da visão especial que o Gábi lhe dá do mundo, Adriana sobre o Eduardo, Valéria como professora de educação infantil e mãe do Pedro, que já deixa a fase bebê, Andréa com seu contraponto do mundo ideal que as mães de bebês sonham e a Tatiana com a oralização bilíngüe da Luna, lá no Japão.
Quem quiser fazer parte do fórum, é só comprar o livro e nos avisar para passar a receber as mensagens!

P.S. Já sacaram que nem todas são do sul? Bom, eu (Sam) sou do Sul, de Curitiba, mas já moro em Sampa há dois anos. Acabei, por afinidade, assumindo a editoria regional do sul e pedi para ter comigo também a Tatiana, do Japão, porque sou mestiça e como a Tati, já morei lá e ainda tenho fortes vínculos com a terra de meus avós paternos e a comunidade dekassegui. A Andréa, de São José dos Campos, é minha amiga de Curitiba desde os 15 anos nas ainda não é colaboradora definitiva do Desabafo. Mas se juntarmos os comentários -super inteligentes e sensíveis- que ela deixa nos textos da gente, ela já escreveu como uma colaboradora!

6 comentários:

Karim e Léo disse...

Puxa, que máximo!! Em primeiro lugar obrigada pela visita e pelo comentário! Realmente essa história arrebatadora da partida do Vinícius, serviu de lição para todas nós! Eu aprendi muito e vejo aqui que podemos compartilhar muito mais sobre muitas coisas bacanas que o Vini nos deixou como herança!! Eu também sou de Curitiba e moro há 7 anos em São Paulo! Me interessei muito pelo livro... já tinha lido a sinopse antes, mas não tinha ainda pensado em comprar!! Assim que eu adquirir, venho avisar pra gente trocar muito mais coisas e idéias! Beijocas

Anônimo disse...

Sam,

Primeiramente, parabéns pelo primeiro texto nesse blog!

Muito bem escolhido o tema, além de divulgar o livro, que parece ser muito interessante já pelo título, coloca um assunto que diversas vezes conversamos, sempre preocupadas com a alfabetização precoce das crianças e no que isso pode acarretar, pois quem disser que essa sobrecarga de atividades não é prejudicial em crianças tão pequenas, certamente estará mentindo.
Acho fundamental para o desenvolvimento emocional e intelectual de uma criança, que ela brinque muito, de todas aquelas coisas que brincávamos...
Se isso fosse tão errado, será que na nossa geração e nas que vieram antes, haveriam gênios, virtuoses e tudo mais??

Beijos

Tatiana Yamada, Japão

Sam disse...

Karim, que bom, será uma bênção contar com sua participação na nossa discussão. Compramos no Submarino, sai 10 reais mais envio, que para nós em Sampa é só o valor do motoboy.
Vejo que além dos valores vamos achar mais pontos em comum. Curitibana expatriada como eu!
Um abraço!

Sam disse...

Tati, obrigado pela consideração! Espero ter muito a contar sobre nossas de mães do sul e Japão aqui!
Você tem razão, as mudanças na sociedade nos ultimos 50/60 anos foram muito grandes, considero que temos ferido não só a camada de ozônio, mas igualmente a capacidade de sermos humanos, tratando as crianças e a nós mesmos como máquinas.
Este livro é muito terno e tem me feito,mais do que refletir (porque graças a Deus muita coisa estava lá, latente, na dúvida, dentro de nós), reforçar minha postura mais ancestral sobre educação e família.
Estou ansiosa para ter vc na discussão!

Andréa disse...

Oi, Sam

Nem preciso dizer que adorei este post aqui no blog do Desabafo. Principalmente porque eu tinha lido o livro e comentado com você.
Hoje, por causa da livro, refleti e mudei de idéia em relação ao estímulo da criança.

Lembro que ano passado, mais ou menos nessa época do ano, Enzo ía fazer 6 anos e você me perguntou sobre violão, porque ele queria ganhar um de aniversário. Falamos inclusive sobre estimulá-lo através da música, de artes, lembra? E eu comentei com você na época que achava que devíamos estimular a criança muito mais do que fazíamos hoje, porque eu acreditava que o ser humano tem potencial pra muito mais do que faz. E ainda acho que temos potencial pra mais do que fazemos, mas passei a entender que estímulo bom é aquele que vem no momento certo, da maneira adequada. E não simplesmente ir sufocando a criança com uma série de coisas e atividades que ela ainda não tem condições de aprender/desenvolver.

E que o melhor estímulo é aquele que vem contextualizado, no nosso dia-a-dia, e, no caso das crianças, a melhor maneira de aprender novas coisas é brincando!

Achei muito interessante algo que as autoras falam logo no início do livro, dizendo que o excesso de informação também é prejudicial, porque as informações concorrem pelos mesmos neurônios e, por isso, a assimilação acaba sendo mais lenta, congestionando o “fluxo” de informações. Fiz uma analogia disso com o nosso cybermundo: se você colocar muitos programas pra rodar ao mesmo tempo no micro, o micro fica mais lento e, às vezes, até trava! Ou se você baixar vários arquivos da internet ao mesmo tempo, você até pode conseguir baixar, mas o download vai ficar mais lento, porque eles dividem o mesmo “cabo” para o trânsito de informações!

Ainda bem que eu li este livro agora, que a Yumi ainda está com 11 meses. Já pensou se eu deixasse pra ler depois? Já iria ter sufocado a coitadinha com “trocentos” cursos: aula de balé, aula de violão, aula de piano, aula de inglês, aula de japonês, aula, aula, aula! Ufa!!! Até eu cansei com isso tudo... Hoje foco muito mais em brincar com ela e deixá-la explorar o mundo, ao modo dela, nesta fase que ela está.

Uma outra coisa que achei interessante no livro: elas falam sobre como foram feitas as pesquisas mostradas na mídia, que dizem que se criança ouvir música clássica vai ficar mais inteligente, ou que se a criança for criada em um ambiente de super-estímulos ela vai se desenvolver mais. Depois que vi como os resultados destas pesquisas podem ser distorcidos ao serem apresentados na mídia, passei a olhar com muito mais cautela este tipo de informação.

E acho estranho que um livro tão interessante esteja sendo tão pouco divulgado. Eu, pelo menos, não vi divulgação além da entrevista que peguei no seu blog. Acho até que o preço super baixo no Submarino é devido à pouca saída... Depois de ler o livro, fiquei pensando que não interessa realmente ao mercado divulgar um livro que diz pra você não comprar tudo que vê pela frente (e que é intitulado como educativo), que você não deve matricular seus filhos em milhares de cursos, que você não deve comprar os tais “cartões-relâmpagos” ou os DVDs “Bebê mais”, Baby Einstein”, entre outros...
Porque o livro diz que é importante estimular, mas com coisas simples, no dia-a-dia, de forma contextualizada e, inclusive, que devemos reservar tempo pra brincar com nossos filhos.

Adorei o livro. Acho que ele acaba sendo de um tipo de leitura não muito “consumível”, não é simples de ler como tantos outros disponíveis no mercado. Mas é muito interessante, muito rico e acho que vale a pena investir tempo e paciência na leitura. E é um livro pra ser guardado e consultado sempre, pelas dicas valiosas que dá para vermos como anda o desenvolvimento de nossos pequenos e o que podemos fazer pra estimular a aprendizagem nos mais diversos setores.

E vamos nós brincar com nossos filhos e deixá-los brincar também. Porque até Einstein teve tempo para brincar!!! Quem diria...

P.S. não tem jeito de eu escrever pouco... rsrsrs

Abraços,
Andréa

verônica disse...

Oi pessoal,
meu nome é Verônica, sou de Sergipe e foi procurando o livro "Eistein teve tempo para brincar", na internet que encontrei este blog. Diferente da maioria, senão de todas vocês, não sou mãe. sou formada em educação física e faço pesquisas sobre crianças. Defendi na minha monografia a tese de que a criança precisa brincar antes de qualquer coisa, pois é brincando que ela aprende e apreende a realidade, se comunica com o mundo com os outros e consigo mesma. Me interesso pelo livro porque estou escrevendo um artigo, onde comungo com as idéias das autoras. Agradeço muito se alguém poder me dar uma dica.

abraços para todos

verônica