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Só comecei a blogar minha segunda gestação depois que consegui fazer (enfim) um "relato" da minha cesárea. Não foi bem um relato, mas um reconhecimento daquilo que me levou para a cirurgia em 2004: a falta de informação de que uma gestação dura 42 semanas. Posso até ter lido isso inúmeras vezes, mas não sabia associar tal informação com a ESPERA. Pois bem, achei que desta vez poderia passar por TUDO, menos pela ansiedade maluca e doentia de não saber esperar a hora da Clarissa. Mas quem foi que disse que temos algum controle durante o aprendizado de uma gestação?

Eu já chorei, chorei, chorei, chorei e chorei muito. Desesperei. Entrei numas neuras e cheguei até perder a esperança em mim e começar a desconfiar do meu corpo. Tudo por causa da espera. As sensações são bastante conhecidas: angústia, tristeza, desânimo e adrenalina pura. Não foi nada igual ao passado, mas eu já conhecia essa dor da espera, ou da expectativa. Eu achei que já tinha enfrentado os maiores monstros da gestação, mas confesso: a ESPERA, sem sombra de dúvidas, foi o maior deles. Mas foi ela também que me trouxe a maior lição: confiança em si mesma!

É lógico que não mergulhei nessa "maldição da espera" sem o dedinho lá de cima. Afinal, eu já sabia da importância de esperar a hora do bebê desde o dia da concepção da Clarissa. Estava mega-hiper-super preparada com orientações para respirar com a vulva, meditar mantras, exercícios com a bola, caminhadas, listinha de filmes, banhos demorados e massagens. Tive de enfrentar algumas etapas - antes do dedinho lá de cima tocar na ferida - relacionadas ao DESLIGAR-SE! 

Não dá pra esperar se você ainda está plugada no mundo. Afinal, aqui e agora, somos ligados na tomada "se vira nos 30" que exige, no mínimo, que você esteja pensando mil coisas ao mesmo tempo já que não está fazendo nada, enquanto todos estão fazendo mais de mil coisas ao mesmo tempo. Esse processo foi quase missão impossível...(prova disso é que estou aqui blogando pra você), mas consegui conquistas impensáveis como dormir a tarde, não preocupar com dinheiro, não pensar nas possibilidades profissionais pós-parto, não entrar no Facebook, GMail ou Twitter por dias consecutivos. E muitas outras coisitas.

Eu não desliguei 100%, mas eu me senti desligada em diversos momentos, o que já me deu uma visão de mundo completamente nova e diferente. Foi, então, que o dedinho tocou na ferida. Meu tampão saiu na semana passada, pleno sabadão, próximo à grande virada da Lua, cheia de significados fortes e universais.  Não tive dúvidas: fui caminhar no Ibirapuera até meia noite com a família. Estávamos rindo à toa, com olhares cheio de expectativas. Virada, nada. Ouvi dizer que a força da lua vinha mesmo na terça. Esperança a mil, e NADA!

Foi, então, bem devagarinho que comecei a relembrar da primeira lição: espere! A DPP era dia 11 ou 12 de maio. Porquê tanto desespero? Talvez por isso, desta vez, eu consegui refletir mais sobre a opinião dos OUTROS. Quanta cobrança e pressão existem na boca e olhares de todos os desconhecidos que têm a coragem de questionar o tempo da minha filha. Virou hábito do porteiro, do atendente do supermercado, da dona da loja da esquina...E haja força para manter a cara de pastel diante das piadinhas dos mais chegados ou dos telefonemas desesperados e ansiosos da família e dos amigos. Chegou? chegou? chegou? NÃOOOOOOOOO!

Eu tive certeza absoluta de que ninguém neste mundo está preparado para ESPERAR! É muita PRESSÃO. A sensação é de que você precisa resolver isso rápido, ninguém mais pode esperar. SIM, a espera torna-se um problema universal. Foi assim que comecei a chorar, ter neuras, angústia, raiva, raiva, raiva, MUITA RAIVA, mas só mergulhei na maldição MESMO quando aceitei fazer o tal do ultrassom, que me trouxe de presente o Oligoâmnio.  SIM, aquelas palavrinhas terríveis que lhe dão pânico e você não tem ideia do que se trata: pouco líquido amniótico, tem risco para o bebê, é preocupante, precisa ficar alerta, vai ter de monitorar daqui pra frente...Sacou, né? Entrei na paranoia total. Bebia água, caminhava, mas o medo era muito maior...Pra variar surge aqueles desconhecidos insuportáveis que lhe garante: ué, mas você pode não ter contração? Aí, vai ter cesárea. Só faltou um riso de bruxa no final da frase da desconhecida que encontrei na manicure neste sábado.

Mas basta usar o recurso "pesquisa avançada" pra conhecer Gisele. [Se você chegou aqui por causa dessa palavrinha infernal, corre para ler o relato de parto dessa guerreira]. Gisele foi quem mostrou o que o dedinho lá de cima queria apontar: confie em si mesma! Confie na sua decisão, seu corpo funciona, você não está colocando em risco a vida do seu bebê: espere!


Tô aqui esperando...agora, sem choro e com muita água!

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Qual seria a sua resposta para o título deste post? NÃO! Lógico, que não, tá louca? Ou, você tentaria se justificar pelo fato de não ganhar nenhum dinheiro para a casa. Não consigo imaginar que haja outro tipo de resposta para essa pergunta. Você consegue?
Eu ouço diversos "cruzcredos" quando penso na reação das mulheres diante dessa pergunta. Também ouço um coro forte gritando NÃOOOOOO para a dependência. Consigo até sentir a sujeira na minha pele quando penso... (argh! verdade mesmo? chega a ser nojento) em ser uma mulher dependente do marido. CALMA, eu não acho nojento o fato de você não trabalhar e depender do seu marido. Mas, ouça bem, olhe pro lado, sinta seu coração! Cá entre nós, percebe o quanto é feio e parece sujo essa afirmação?

Eu nunca tinha pensado na força da "independência" pelo lado de dentro. Só consegui ouvir esse "cruzcredo" unânime entre as mulheres o dia em que descobri o quanto é complexo enxergar esse NÃO à dependência de um casal. SIM, você leu correto: a mulher que depende do marido e o marido que depende da mulher...MAS, CALMA (again), eu não quero falar da troca ou da partilha necessária para justificar a dependência financeira. O que quero refletir contigo é bem diferente!

Eu explico: não cai no discurso de defesa da razão pela qual eu não trabalho, mas fica centralizado na questão da dependência por si só, entende? Ou seja, falo do fato de um casal ser um ente dependente. Parece a mesma coisa, mas não é. Quando você percebe o quanto é dependente do seu marido, você também descobre o quanto precisou se defender da questão financeira que envolve a responsabilidade familiar. Mas, ouça-bem: não é se defender publicamente, mas de si mesma.

Quando você enxerga a RESISTÊNCIA interna à expressão "depender do marido", você olha pro lado e se assusta muito mais com as armas que estão espalhadas pelas mãos de todas as mulheres somente para atingir tal objetivo: defender-se da dependência com o marido! Putz! Que meleca! Quanto paradoxo! Pois é justamente o inverso que transforma marido e mulher em um casal...( eita graninha marvada!!!)

Uma das lições que a gestação da Clarissa me trouxe foi mergulhar (de novo) para minha relação de ser mãe e mulher... Desta vez, ficou mais claro o quanto esse lugar de "mãe-mulher" exige espaços diferentes, mas a questão do tempo ainda é nebulosa...

Dá pra ocupar espaços diferentes ao mesmo tempo? Essa é uma escolha exclusiva?
Ou seja, se você ocupa mais o espaço mãe, você obrigatoriamente exclui o espaço mulher?

Enfim, essas questões me levaram ( de novo) para a relação marido e mulher, e me fez pensar no incrível poder dessa palavrinha "independência" ( feminina) ou, como diria o pedrito, "morte"! E, aí, qual você escolhe?
Ao buscar mais informações sobre aborto espontâneo descobri que  psicólogos, médicos, livros de auto-ajuda  são unânimes em relação à necessidade de  viver o luto. Minha própria experiência prova que só é possível prosseguir quando não estamos mais presas ao passado, a dor e ao medo de não conseguir ser mãe um dia. Por me recusar a viver o luto, meu processo de cura foi longo, doloroso e solitário. Eu passei por tudo sozinha, apesar de ter  marido, mãe e amigas presentes. Eu confortei cada um deles com palavras positivas e explicações médicas, científicas do porque o aborto aconteceu.  Durante duas semanas não chorei, dava risadas e até contava piadas... mas, assim do nada, não suportando mais carregar essa máscara de valentia um choro incessante tomou conta de mim e, por fim, me trouxe paz e esperança. Foi assim que comecei a viver meu luto.

Durante esse processo, conversei muito com meu marido sobre como me sentia culpada e responsável pelo aborto, conversei com minha médica diversas vezes para entender –  absorver – o que tinha acontecido com meu corpo e aquele embrião que parou de ser formar assim de repente na oitava semana. Li e reli depoimentos de outras mulheres que passaram exatamente pelo mesmo que  passei e isso, admito, me ajudou imensamente porque tirou o peso e a responsabilidade das minhas costas, me fez  entender  que não havia sido a primeira e nem a última mulher a sofrer um aborto espontâneo  e me trouxe, estranhamente, uma sensação de normalidade, um conforto de pertencer a um grupo de mulheres que como eu lutavam para superar essa perda. Eu não estava mais só.
(Veja nos "comentários" dos links abaixo depoimentos de mulheres que sofreram aborto espontâneo).
Cada mulher vai viver esse luto de forma individual e única. Algumas buscarão o silêncio como eu; outras  encontrarão conforto no desabafo, no choro dolorido, alto e sem vergonha de mostrar para o mundo a dor que fere e incomoda. Não importa a forma como vai viver esse luto, o fundamental é passar por esse processo que vai permitir, mais uma vez, enxergar possibilidades e ter esperanças.

Sentimento e dor

Lembro perfeitamente do dia da consulta para escutar as batidas do coração do nosso filho. Meu marido estava ansioso. Entramos na sala, enfermeira, médica.. tudo era felicidade. Preparados para ver o coração? Foi ai que nosso pesadelo começou. O sorriso da enfermeira foi substituido por um olhar preocupado e tenso... e um silêncio tomou conta da sala. A médica chegou em seguida e explicou que não conseguia escutar o coração, mas isso poderia significar que o embrião ainda estava pequeno demais, ou seja, havia esperanças. Medo, dúvidas e esperança.
Foi assim que nos sentimos durante uma semana. Até um  segundo exame de sangue confirmar que o hcg estava caindo, ou seja, o embrião realmente tinha parado de se devenvolver. Raiva, tristeza, negação, culpa, descrença, depressão e dificuldade para se concentrar.

Mesmo quando gravidez é interrompida cedo, o elo entre mãe e filho já foi estabelecido, isso explica a intensidade das emoções que a mulher sente ao perder o filho. Algumas, inclusive, chegam a sentir fisicamente essa dor emocional e apresentam sintomas como: fatiga, dificuldades para dormir, perda de apetite e ataques de choro. As mudanças hormonais que ocorrem após o aborto espontâneo tendem  a intensificar esses sintomas.

O que esperar do processo de luto?
Geralmente, o processo de luto envolve três etapas:
1. Choque e negação. Quando ainda não entende o que está acontecendo e se recusa a aceitar.
2. Raiva, culpa e depressão. Pensa nas inúmeras possibilidades e se eu tivesse feito isso e não isso; se pergunta porque isso está acontecendo com você e acha injusto estar passando por isso.
3. Aceitação. É quando começa a lidar com os sentimentos e pensa, inclusive, na possibilidade de buscar ajuda para superar essa perda.
A duração das etapas seguintes são mais longas que as anteriores. Durante esse processo, a mulher pode sofrer recaídas, por exemplo, receber convite para o chá de bebê da amiga, comentários insensíveis de outras pessoas, e até mesmo ver mães com bebês pode trazer à tona sentimentos de culpa, fracasso e tristeza.

O que pode ajudar a superar o aborto?
1. Buscar apoio de pessoas próximas (familiares, amigos) não apenas para conversar, mas ser confortada e compreendida.
2. Buscar ajuda profissional para lidar com a perda (você e seu marido).
3. Permitir-se viver o processo de luto pelo tempo que for necessário.

O luto dele

Meu luto foi completamente diferente do luto vivido pelo meu marido. Eu sou racional, ele é emocional. No dia em que recebemos a notícia de que não havia batidas no coração do bebê, meu marido mal entrou dentro de casa e já começou a chorar enquanto eu tentava explicar que a gente fazia parte da estatística, que era uma forma da natureza “eliminar” um embrião mal formado .  Ele ficou incrédulo com a minha “frieza” e eu “irritada” com o choro dele. Resumo: entender e respeitar que o processo de luto vivido pela mulher e pelo homem é DIFERENTE é crucial. Não existe insensibilidade ou sensibilidade demais, é apenas o processo que cada um escolhe para lidar com um momento tão difícil, que envolve adiar por tempo indeterminado o sonho de ser pai e mãe.
O que pode ajudar:
1. Respeitar o sentimento de seu parceiro (a).
2. Compartilhar pensamentos e emoções.
3. Aceitas as diferenças e compreender o processo de luto escolhido pelo parceiro (a).

O direito de superar a perda

Superar a dor da perda de um filho não significa esquecer ou fazer dessas memórias algo insignificamente. Superar, nesse caso, significa ter esperanças e focar novamente no futuro. Nesse processo, você tem o direito a:
1. Entender exatamente o que aconteceu e as possíveis implicações numa próxima gravide; buscar por respostas, estudar histórico médico, fazer anotações.
2. Decidir o que quer fazer com as roupas e acessórios que havia comprado para o bebê.
3. Evitar situações que possam trazer tristes lembranças e traçar metas realísticas, ou seja, respeitar seu tempo para poder lidar com a dor e a tristeza dia após dia.
4. Tire o tempo que for necessário para viver esse luto.
5. Aceite o suporte de outras pessoas, embora muitas vezes isso pode não parecer ser fácil. Se você se sentir fora de controle ou extremamente  ansiosa busque ajuda profissional de um psicólogo ou terapia em grupo.
6. É normal sentir tristeza algumas vezes, o principal é não deixar esse sentimento tomar conta de você. Lembre-se que outras pessoas superaram essa dor e, com um tempo, o mesmo ocorrerá com você. Tentar fazer coisas que a façam rir e se divertir é importante. Lembre-se que celebrar a vida não é menosprezar a perda do filho.
7. Lembre-se do seu filho. Superar a perda não significa esquecer. Talvez, inclusive, você queira dar um nome ao filho que perdeu. Algumas mulheres encontram conforto ao plantar uma árvore em homegem ao filho, comprar um pingente que a faça lembrar que de certa forma ele foi e ainda é parte da família.

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Já escutou falar sobre PinkStinks? Eu conheci esse movimento na semana passada durante um workshop de jornalismo e mídia social que aconteceu em Perugia, na Itália. PinkStinks é uma organização britânica, criada em 2008, que luta para mudar as mensagens sexistas que chegam as nossas crianças por meio de roupas, brinquedos e anúncios. Pra entender do que estou falando, basta uma rápida visita às lojas de brinquedos para perceber um mundo dividido entre azul e rosa. Os meninos têm a seu alcance carros, armas, ferramentas e blocos de construir; enquanto as meninas... elas são direcionadas a um mundo passivo (panelas e fogão), belo (comésticos), consumista e cheio de princesas com suas tiaras e vestidos. Essa premeditação de papéis é perigosa porque influencia na formação da criança e define como o mundo deve enxergá-la.  Não é à toa que, ainda em 2012, as mulheres continuam lutando para garantir seu espaço aqui e acolá e, principalmente, por uma igualdade que aparentemente existe mas muitas vezes não é colocada em prática.



Sei que essa divisão de papéis não é recente, é um assunto que vai e volta nas rodas de conversa. Tanto que as panelinhas e ferro de passar deram espaço a computadores cor de rosa e barbies "doutoras". O que, na minha opinião, não muda absolutamente nada. É a projeção da imagem da "mulher perfeita" que incomoda, é presumir de antemão que meninas nasceram para consumir cosméticos, roupas, sapatos e bolsas que é errado. A indústria cria personagens e tira, assim na nossa cara, o DIREITO DE SER de nossas crianças.


Eu faço parte dessa geração rosa e consumista e, por isso mesmo, entendo o quanto a minha liberdade de escolha e meu valor foram suprimidos por um desejo e necessidade criados por marcas e produtos. Na minha opinião, preservar essa liberdade de escolha não apenas protege a infância, mas permite à criança se descobrir e olhar o mundo como se fosse um papel branco, pronto para ser desenhado e colorido conforme suas vontades e aspirações. E é isso que eu quero para meus filhos.

Esse caminho, no entanto, é difícil de ser trilhado porque vai contra o que o mundo tem a nos oferecer hoje e nos força a uma autorreflexão que vai trazer à tona o feio, o superficial e o desnecessário que existe dentro da gente. Sim, é preciso mudar para ensinar e só mudamos quando enfrentamos nossos demônios. Nessa trajetória, tive que assumir que era superficial, mimada e cheia de fantasias e curar-me dessa ferida. Só assim para poder mostrar a meus filhos na prática  que o consumo, o material, a marca não tem relação alguma com quem você é ou quer ser.

Essa preocupação felizmente ganha importância e força mundial. Durante uma das conferências que participei, me chamou a atenção o desabafo da jornalista Jane Martinson, editora do The Guardian. Ela contou que perguntou aos filhos o que queriam ser quando crescer, a resposta do menino foi "presidente dos Estados Unidos"; enquanto a menina respondeu "princesa". Passado o pânico inicial, Jane começou a refletir sobre o que estava acontecendo e quais as mensagens que eram passadas não apenas fora, mas dentro de casa. O que me dá mais medo é saber que "princesa" era o sonho das meninas de ontem e continua sendo o sonho das meninas de hoje! Concordam ou não que devemos mudar?

Perdi as contas de quantas vezes abri uma revista e me deparei com anúncios assim e assim. Senti nojo e revolta, mas não o suficiente para pegar um telefone e denunciar tais campanhas.  E é esse silêncio que me faz refletir o quanto a caracterização da mulher pela mídia em geral – jornais, anúncios, tv, websites – faz parte de uma normalidade que, apesar de ainda causar revolta, é de certa forma aceita ou ignorada por mim e muitas outras pessoas que conheço. Por que não denunciamos?  
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Angela Merkel em anúncio da Bruno Banani
Essa tendência de valorizar a mulher objeto e vítima, em detrimento da mulher sujeito, não existe apenas do Brasil. Uma rápida olhada nas manchetes dos jornais para entender a seriedade de ações  que tendem a diminuir a importância da mulher em diversas esferas da sociedade e dá força ao sexismo ao tratá-las de forma irreal, estereotipada e, muitas vezes, humilhante. Governantes como Angela Merkel, Hillary Clinton, Condolezza Rice, Dilma Roussef e Sarah Palin já foram criticadas pela aparência, tiveram a inteligência questionada e, muitas vezes, encararam  perguntas relacionadas ao corpo. Se é esse o tratamento que as mulheres mais influentes do mundo ganham da mídia… imagina cidadãs como eu e você.  
Veja também o trailer de um documentário produzido pela organização MissRepresentation:


O que, então, podemos fazer para mudar essa realidade? As possibilidades são imensas e, na minha opinião, começa com uma autorreflexão que envolve inclusive meu papel como jornalista e blogueira. Jane Martisson, editora do The Guardian, diz que  o sexismo ainda acontece na mídia britânica, mas de forma menos abusiva que nas mídias italiana e brasileira, e que os jornais ainda dão pouco espaço ao intelecto da mulher.  A questão, portanto, é mudar como os jornais retratam a mulher que geralmente é fonte de matérias sobre abuso, estética, cozinha e família enquanto os homens ganham espaço como formadores de opinião, críticos e pensadores.  Dai a importância de se repensar a utilização desses espaços públicos (jornais, tv e revistas). Dar voz a mulher profissional é dar voz a milhares de outras que ainda trilham o caminho em busca dessa igualdade.  A mídia cria consciência e essa consciência não deve ser relacionada ao corpo, mas à inteligência, capacidade",diz.

A italiana Giovanna Cosenza, doutora em Semiótica (sob orientação de Umberto Eco) e professora de Comunicação da Universidade Bologna, estuda há alguns anos publicidade envolvendo a mulher e ela chama atenção não apenas para os anúncios que erotizam ou colocam a mulher como objeto sexual. "Por exemplo, num anúncio de computador a mulher aparece com um homem atrás apontando algo pra tela, passando uma imagem superior do homem que "ensina" e da mulher que "aprende". Ou ainda, quando a mulher aparece sozinha no anúncio mas aparenta ter dúvida ou questionamentos como se não entendesse ou soubesse manipular um computador", explica. E é exatamente isso que devemos nos atentar. Mudar esses pequenos detalhes que retratam direta ou indiretamente a mulher como um ser "não pensante" influenciará positivamente em como a sociedade percebe a figura feminina.
Essa reflexão levanta sim a bandeira do feminismo, mas de forma alguma remete à feminista estereotipada pela mídia: da mulher que é a imagem da “besta”, mal amada e feia demais atrair um homem, que quer masculinizar e reprimir a vaidade.  Falo aqui de uma feminista como eu e você, que quer dar continuidade a uma luta que começou nos anos 70, com mulheres falando abertamente sobre sexo, menopausa e lutando para garantir seu espaço em universidades e no mercado de trabalho.  Eu sou muito mais que um corpo, eu não sou vítima. Sou mãe, jornalista e ativista. E não posso aceitar que me retratem na mídia ou em qualquer outro lugar de forma humilhante, pejorativa e estereotipada e que diminuam meu valor intelectual e profissional. Hoje vivemos uma das piores crises econômicas do mundo e excluir a mulher de postos de importância das esferas pública e privada é continuar ignorando 50% de uma força de trabalho extremamente competente e necessária. 

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Nossos filhos agirão como Tas, Rafinha e Luque
Qual é o seu preconceito feminino?
Uma mulher pode ter tudo?
 Onde denunciar a propaganda abusiva?
http://www.conar.org.br
http://www.idec.org.br
http://www.procon.sp.gov.br
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O Epi-No é um aparelho importado, mas CALMA não é da China. É daqueles importados com difícil acesso, pago em Euro e de origem alemã. Ou seja, coisa que lembra pura inovação. Leia bem: I-no-va-ção! É sobre isso que desejo refletir com você. Lógico que só conheci o EPI-No porque ele faz parte do vocabulário de quem busca um Parto Normal. Se você nunca tinha ouvido falar dele e deseja um Parto Normal é sinal de que você  continua mergulhada na cultura intervencionista. ACORDA!

Bem, a Luciana Benatti explica melhor do que se trata o EPI-No neste post aqui, publicado no site da Casa Moara. Antecipo apenas que é um aparelho para preparo do períneo, utilizado a partir das 34 semanas de gestação. Vale agendar uma consulta com a Miriam Zanetti, citada no link acima, para entender melhor essas coisas de períneo, que envolvem músculos da vagina e episiotomia. Ah, e não precisa entrar em pânico porque o aparelho está na lista dos "importados caros", há a opção de alugá-lo. Indico a lista de discussão Materna-SP para partilha dessas dúvidas.

Ufa! Agora, sim, vamos à reflexão proposta: Inovação pura da pura!
Quando ouvi falar do Epi-No pela primeira vez foi no consultório da minha obstetra. A reação foi automática: O que é isso? Depois, virou rotina ouvir a mesma pergunta das demais gestantes. E tantas outras vieram a partir da prática do aparelhinho. Mas, desta vez, não foram as perguntas que me fizeram abrir os olhos, mas o uso do EPI-No. Ou seja, a prática.

Primeiro: acordei para meu corpo. Não conhecia minha vagina, meu períneo, meu sexo...Foi um baita susto, mas virou um aprendizado pra lá de importante. Segundo: acordei e vi um maridão do meu lado. Não dá pra segurar a pressão do períneo sozinha...Então, o maridão teve de assumir essa prática ativamente e isso nos ajudou a construir várias conquistas como casal nesta gestação. Entendi melhor o quanto o papel masculino é extremamente necessário, crucial e importante na gestação de uma mulher e de um bebê. Tem sido redentor essa descoberta. Recomendo a todas as gestantes: insira seu marido nos exercícios de EPI-No, mas aceite o como ele é - sem idealizações nem cobranças!

E terceiro: acordei e percebi que o EPI-No é a resposta para maioria dos mitos criados sobre o parto humanizado. Explico: quais são os significados comuns de Parto Natural, Domiciliar, na Água, Humanizado ou Normal? Não lembra? Ah, então, abra a revista ou o site das mídias tradicionais. Eles vão anunciar essa turma com as seguintes expressões: volta ao passado, alternativa, dor, dor, dor e retrogrado. Tudo para trazer à tona que a cesárea é moderna, tecnológica, prática, inteligente e indolor...Pelo menos, essa é a percepção que a maioria dos meus amigos tem sobre parto normal X cesárea.

Eu já tinha percebido a questão da contemporaneidade nessa dobradinha infernal (Passado X Moderno), que aliena a maioria da humanidade, quando a Dra. Silvana trouxe o termo "modismo" para o parto domiciliar, mas confesso viver o contemporâneo na prática te mostra o quanto é visionário o parto normal do nosso século. Parir de forma natural, hoje, exige atitudes do casal que eu imagino que jamais nenhuma mulher do passado precisou partilhar com seu homem. Ou seja, caros jornalistas, parece volta ao passado, mas é pura inovação!!! Coisas da contemporaneidade...

A prática do EPI-No deixa isso claro porque vai além do consenso pela escolha do nome do bebê ou do lugar de parir, ela traz o papel de apoio e suporte do homem na gestação. E, cá entre nós, não tem nada mais transformador que reconhecer a importância da presença do pai neste momento de gestar um humano. Não consigo imaginar como reconhecer isso na busca pela cesárea ou na "crença" pelo parto normal. E, muito menos, quando o canal vaginal era a única saída para os bebês chegarem ao mundo e não havia especialistas em humanos para transformar essa naturalidade em algo possível para todos. Enfim, indico a todos, principalmente a jornalistas, a conhecer o EPI-No antes de classificar parto normal como coisa do passado.


Você sabia que um pequeno grupo de mulheres conseguiu levar o debate da alta taxa de cesáreas para o Ministério Público de São Paulo? Pois bem, essas guerreiras conseguiram isso e, no ano de 2010, o Ministério Público entrou com uma ação civil contra a ANS (Agencia Nacional de Saúde Suplementar). Eu tive a oportunidade de conversar com a procuradora, que foi responsável por essa ação e ela me explicou, na época, que já tinha sido feito tudo em relação aos debates com órgãos envolvidos. YES! Só falta uma coisinha: a decisão do juiz... Pois bem, essa "coisinha" (que falta) já dura quase DOIS ANOS. Parece que NINGUÉM fez nada depois disso TUDO...Mas o que poderia ser feito?


Essa é uma das perguntas que só os "iniciados" (da cidadania) têm as respostas. Dizem que seria importante um "ofício ao juiz" cobrando a decisão. O ideal seria que esse tal ofício fosse solicitado por um movimento social. Vale lembrar que esse pequeno grupo de guerreiras fez (ou/e faz) parte da PP (Parto do Principio), mas qualquer movimento social ou coletivo pode manifestar-se sobre essa demora do juiz da 24aVara / SP - Capital-Civel - que fica no Fórum João Mendes Junior, no décimo andar, cujo telefone é (11) 2171-6183. Detalhe, HOJE é o dia perfeito para levar essa pergunta ao próprio Ministério Público e tornar-se um quase-"iniciado" no Brasil. Pois quem tiver disponibilidade e coragem de enfrentar o trânsito de São Paulo até 18h00 para chegar na na rua Brigadeiro Luiz Antônio, 2020, poderá questionar isso para entender as possibilidades de dar continuidade ao que esse grupo de guerreiras começou entre 2004 e 2006.

Eu adoraria ter essa oportunidade, mas meu barrigão não permite enfrentar essa maratona. Podemos até encher a caixa de entrada do MPF, preenchendo o formulário da consulta pública, mas vale ressaltar que esse passo já foi dado pelas ativistas no passado, pois nossa reivindicação já é uma ação civil. Ouvi dizer que os tais formulários servem para identificar fatos novos que podem se transformar em representações civis. Ou seja, aquilo que já conquistamos. Presencialmente, porém, teremos a oportunidade de entender como podemos dar o segundo passo.

Eu não sei como você pode ter acesso ao documento da ação civil, mas se você é um iniciado pode fazer a pesquisa pelo número 0017488-30.2010.4.03.6100. Eu tive a oportunidade de passar os olhos pelo documento e posso lhe garantir que a maioria das ações, que pode fazer diferença aos usuários de plano de saúde, está inserida neste processo. Muita coisa que está lá, inclusive, já virou lei como o direito da gestante ao acompanhante do parto. Enfim, vale lhe informar que a ação envolve sete pedidos que representam a regulamentação dos serviços obstetrícios no Brasil. Quem sabe você não é o iniciado que precisamos para não desperdiçarmos a luta daquelas mulheres de 2006!!!! 

Para os mortais como eu que ainda não tem fluência na "língua da cidadania" nem tem tempo para tornar-se "iniciado", vale ler o post no blog  Parto no Brasil que traz outras demandas como a episiotomia que podem e devem ser enviadas via formulário. Mas, imploro, não esqueça de acrescentar essa pergunta na sua participação online.