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Você sabia que o maior desafio da gestação é esperar a hora do seu bebê nascer...Sabia mesmo? Eu também achava que sabia... Mas só descobri isso, de verdade, depois que fiz uma cesárea desnecessária. Só agora percebo que aceitei, sem pestanejar, induzir meu parto nas 39 semanas. Eu não sabia que, lá fora, os profissionais de saúde só pensam em indução após as 41 semanas. E mais: que existem muitos tipos de indução, inclusive aquelas que tendem a levá-la para uma cesárea.

Quando meu obstetra informou que eu podia sair daquela consulta e ir direto à maternidade, eu nem percebi meu olhar atônito, meu susto e o tremendo erro que eu cometia. A única coisa que ouvia era minha ansiedade de mãe de primeira viagem.  Só pensava em ver o rostinho da minha filha. É isso mesmo que você leu: daquela consulta...

Olhei para minha mãe, que me acompanhava naquela consulta de ROTINA, pedindo socorro e recebi um sorriso de volta. Devolvi o sorriso e mergulhei no meu pacto com a cesárea. Eu nunca quis fazer uma cesárea, mas eu não tive nenhuma capacidade para parar aquela trajetória. Tive várias sensações estranhas, mas nenhuma capacidade para ouvi-las. E, detalhe: EU NÃO SABIA que, lá fora, os profissionais esperam as 41 semanas para indução. Ou seja, eu não sabia esperar a hora do bebê nascer.

Eu nunca me preparei para aquela situação. Uma consulta de rotina e BUM! Minha bolsa não tinha estourado, meu bebê não tinha nenhum sofrimento fetal e eu não sentia nada de dor...Ou seja, não era a hora do meu parto. Mas tinha tudo pra ser a hora de uma cesárea. Mas eu não sabia das 41 semanas de espera para indução!!!

Ainda lembro do meu olhar atônito, imobilizada pela indução na cama, rodeada de fios e aparelhinhos e rezando baixinho para conseguir um parto normal. Estava extremamente assustada, com medo, muito medo de não conseguir parir. E lembrar que um dia antes daquela tragédia, eu tinha agradecido a Deus por aprender a esperar... “Como assim uma tragédia?”

Durante muito tempo, eu esqueci de que minha cesárea surgiu de uma indução inesperada e acreditei por muito tempo que o cordão umbilical tinha sido a razão pela qual eu fiz uma cesárea. Tudo para não expressar a palavra que espanta a sociedade: TRA-GÉ-DIA. Eu também não aceito afirmar que um nascimento pode estar relacionado à uma tragédia. Mas eu vivi isso.
Você sabia que toda vez que o movimento pró-parto tenta alertar o absurdo das taxas de cesáreas vem à tona experiências como a minha? São centenas de relatos de partos parecidos, cheio de dores e em busca do perdão. Pelo menos é assim que me sinto quando olho pra trás e vejo o quanto fui ingênua e boba ao permitir minha cesárea. Ouça bem: eu não te acho boba e ingênua porque você escolheu a cesárea, mas eu fui muito burra e ingênua quando fiz uma. Eu nunca quis fazer uma cirurgia na hora do meu parto.

Eu tenho MUITA raiva da minha ignorância, mas eu nunca te achei ignorante por escolher sua cesárea. Só acho que você devia saber que todo bebê tem sua hora pra nascer: espere! O que a minha raiva me provoca também é querer gritar aos quatro cantos do mundo AQUILO que eu não sabia. Eu sei que a OMS - Organização Mundial de Saúde - recomenda o parto normal por uma série de evidências científicas, que comprovam que parir naturalmente é mais seguro e benéfico para mãe e filho. Mas meu desejo de parir nunca foi baseado nas evidências científicas dos milhares de estudos que determinam a melhor forma de nascer do ser humano. Eu também não sabia disso. Só descobri "as evidências científicas" depois que eu permiti que roubassem meu parto normal.

Quando eu acho que devo gritar para que outra mulher não vivencie a minha tragédia, eu penso o quanto é importante você saber daquilo que eu não sabia, mas jamais julgarei a sua decisão. Por favor, não julgue a minha! Entenda apenas o quanto um sonho é importante para uma mulher! E divulgue aquilo que você também não sabia, que pode evitar a tragédia que eu vivi para outras mulheres.

Eu sei que é forte demais falar em tragédias na hora da chegada do nosso filho, mas eu preciso aceitar isso porque eu a vivi. 

Quero que você saiba que eu nunca senti que era menos mãe por ter permitido aquilo que eu não queria. Eu vivi essa tragédia, mas nunca senti tristeza ou dor quando vi a Maria Luiza pela primeira vez na minha vida. Eu vivi essa tragédia, mas nunca achei que estava fazendo mal à minha filha. Mas eu não posso negar que essa experiência foi uma tragédia na minha vida. Não posso negar minha ingenuidade e muitos menos aquilo que eu não sabia. Mas posso perdoar a mim mesma por não saber aquilo que outros sabiam e, agora, tentar fazer diferente daquilo que eu fiz na minha primeira gestação. E, você: o que não sabia?

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Mudamos novamente. Com muita dor no coração, deixamos nossa casa, escolas e amigos. Os meninos estão sofrendo e muito. Na semana passada, apesar de ter mostrado coragem no primeiro dia de aula, Tomas ficou doente no terceiro dia e não quis mais ir pra escola. Vomitou, chorou  e teve febrão. Fisicamente, ele está bem… o que não anda bem é a cabecinha dele. Muita coisa diferente, inclusive dois novos idiomas: francês e flamengo.

Tomas estava no processo de aprender a escrever e ler em inglês.  Sua professora era amável e ele tinha muitos amigos. Quando soube que ia mudar, quase enlouqueci procurando escolas para ele e Arthur. Passei noites lendo e relendo metodologias, críticas, comentários negativos e positivos… aquele processo chato , mas necessário, que todo pai precisa encarar. Escolhemos uma escola católica, semi-privada, que recebe estudantes de outros países.

Mas não é a mesma coisa, adianto. E as crianças perceberam isso no primeiro dia. A professora francesa fala alto e é ríspida. Me falaram que nas escolas públicas, de língua francesa, algumas professoras chegam a deixar os alunos de castigo… coisa bem colonial. Graças aos bom Deus, a professora do Arthur é um amor. Mas ele não quer saber, chora todos os dias e me pede pra voltar pra casa “véia” e pra classe da Ms. Kirstie.

Hoje de manhã foi um caos. Tomas se deitou no chão chorando para voltar pra casa. Arthur saiu correndo na direção do metrô… Bom dia pra mim! Para quem passa pelo mesmo que eu… segue essa dica de leitura com dias de como ajudar na adaptação dos filhos num ambiente bilíngue.  Também estou aceitando dicas de  mães expatriadas!!!

Antes que eu me esqueça, um ótimo 2012 para vocês … de Bruxelas!
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A ANS é a agência que fiscaliza os planos de saúde. Foi criada em 1998 pelo governo FHC, quando a maioria dos serviços públicos foi privatizada. Para não virar um caos e os empresários fazerem o que der na teia, nasceram as agências reguladoras. Na teoria, essas agências devem atuar junto com a sociedade para criar regras de interesse público, que servirão para fiscalizar os serviços, que deveriam ser prestados pelo governo. Ou seja, serviços feitos para o bem-estar da sociedade, e não para servir aos bens dos investidores. Na prática, eu não sei muito bem o que acontece dentro da ANS. E você, sabe?

Eu resolvi falar com a ANS pra entender qual papel da agência para reduzir a dificuldade (ou, impossibilidade) de ter um parto normal através do plano de saúde e consegui uma entrevista com a Martha Oliveira, gerente geral de regulação assistencial da Agência Nacional de Saúde Suplementar (foto abaixo). Ela explicou que, desde 2004, a ANS faz reuniões com outras entidades da saúde para combater a vergonha de ser o país líder na taxa de cesarianas. E o que resultaram essas reuniões?


A conclusão de que "existem algumas medidas que precisam ser tomadas para mudar este cenário, porém, elas são muito complicadas de serem colocadas em prática". Ela ainda afirmou que os estímulos que foram adotados tiveram uma "potência" muito pequena...e sinalizou que a PARTICIPAÇÃO popular poderia ser a saída para a mudança que precisa ser feita no sistema de saúde. E como a gente participa?





Ela informou os canais de comunicação como 0800, o site e email da ouvidoria. Martha também falou dos movimentos, das redes e dos grupos como meios de participação e citou como exemplo a Parto do Príncipio que poderia ser o canal das usuárias de planos de saúde para sugerir novas regras que facilitariam uma gestante ter parto normal através do plano de saúde. Ela ainda deixou claro que a participação não exigiria formatos burocráticos como ofícios ou documentos extremamente complicados de elaborá-los. Nada disso. Segundo Martha, as portas estão abertas para as gestantes que têm boas ideias para resolver a vergonha de sermos líderes mundiais das cesáreas.

Vamos participar!?
Eu usei o 0800 como primeiro contato com a ANS e quase tive um treco quando deparei com a gravação do call center, que filtra sua ligação antes de chegar no atendente. Dá medo ao ouvir tantas opções para falar com a ANS via 0800. Talvez, no futuro, quando 0800 estiver mais voltado à participação da sociedade seja possível usar o telefone para participar. Vale ressaltar, no entanto, que o 0800 serve para reclamar desde que você entenda os termos técnicos dos planos de saúde.

Depois resolvi usar o formulário do site, cujo endereço é: http://www.ans.gov.br/index.php/aans/central-de-atendimento/formulario-de-atendimento. Muito fácil preencher todos os campos e estou no aguardo do retorno da agência. Eu denunciei a minha operadora e as taxas absurdas de cesáreas dos hospitais privados, os quais meu plano de saúde cobre, além dos profissionais os quais não transmitiram confiança de que estaria ao meu lado para a decisão de ter um parto normal. Também denunciei uma obstetra à minha operadora e à ANS que me propôs pagar o parto por fora. Detalhe: ela é credenciada ao meu plano. Porquê eu fiz isso?


PASMEM!!! Martha também me contou que não há denúncias de usuárias relacionadas a parto normal. SIM, milhares de mulheres escrevem suas dores em relatos de parto, mas não reclamam isso ao órgão responsável pela mudança deste cenário. É, por isso, que eu imploro a você: FAÇA A DIFERENÇA! Envie sua denúncia de não ter conseguido o parto que você desejava à ANS. Ela (a ANS) serve pra isso.

Também vou agir dentro da  Parto do Princípio através da lista de emails. O que quero levar para lista é debater sobre o seguinte desafio: quais sugestões poderiam fazer diferença na vida de quem busca o parto normal através do plano de saúde? Eu pensei na INFORMAÇÃO e questionei à Martha se existia algum fundamento legal para uma gestante obrigar sua operadora a informar a taxa de parto normal do obstetra credenciado. Não existe: a operadora pode omitir essa informação. E porque a ANS não a obriga a divulgar isso? Simples, é preciso que isso se torne parte de uma resolução. É neste sentido que a minha manifestação e a sua pode fazer diferença.

Descobri também uma ação do Ministério Público que pode nos ajudar a entender quais as propostas que precisam ser enviadas à ANS, através da Parto do Princípio, para melhorar o futuro das nossas gestantes usuárias de planos de saúde que desejam parir seus filhos em hospitais privados. E aí topa participar, ou não?
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Foto retirada de Chimarrão
Não há dúvida de que na guerra do Parto Normal X Cesárea: eles venceram! E a vitória foi bem retumbante porque nas ruas: eles também venceram! Eu só ouvi espanto e críticas sobre parto normal na cidadezinha onde nasci, que faz parte daqueles municípios que não têm mais cidadãos nascidos na terra dos seus avós porque não há sistema de saúde para atendê-los. Lá, na minha cidadezinha, quem foi atendido pelo SUS na cidade vizinha tem horror ao parto normal porque considera uma obrigação, e não uma escolha. Já quem tem plano de saúde, escolhe cesárea. É como se quem tivesse "dinheiro" tivesse a opção da cesárea.

Mas Eles Venceram há muito tempo como mostra o gráfico no site Parto com Amor no centro do mundo dos negócios: na cidade de São Paulo, 9 em cada 10 partos feitos nos hospitais particulares são cesáreos. Há uma fumaça e tanto nessa notícia para quem tenta entender o paradoxo da vida real com o da vida midiática: dos sete obstetras que já consultei, todos falam bem da dupla Santa Joana/Pro-Matre. Ambas maternidades conseguiram ser referência principalmente para meus amigos quase-quase-ricos ou jornalistas. Eles Venceram e estão no topo com as respectivas estatísticas: 93,18% e 89,63%. Mas, é óbvio que referência MESMO (ainda mais para meus amigos quase-ricos e os super-ricos) são o Albert Einstein e o São Luiz.

Vale mencionar que os obstetras do parto humanizado preferem o hospital São Luiz, mas é um absurdo o quanto a "humanização" está arraigada na cultura elitizada. Vivi na pele o cansaço desabafado pela Renata Olah (parabéns!): consultas entre R$ 200,00 e R$ 450,00 e partos entre R$ 5.000,00 a R$ 15.000,00. É um absurdo! E, detalhe: nenhum deles tiveram negociação, por enquanto. Das pessoas que conheço que têm acesso ao Albert Einstein, todas garantem que o parto normal está não só no discurso dos profissionais, mas na tentativa de mostrar às gestantes a importância de nascer de forma natural.

A fumacinha desta estatística mostra que, ao contrário do que a maioria das pessoas que conheço atentidas pelo SUS pensa, Parto Normal só é opção mesmo para quem tem MONEY. E não a césarea como acredita a maioria daqueles que conheço que têm plano de saúde. É outro paradoxo desta guerra insana que traz percepções malucas e extremamente complicadas de desmistificar porque são construídas de forma bastante complexa. Afinal, qual gestante que sonha com plano de saúde e ouve da amiga "AS MARAVILHAS" da cesárea que ela já marcou com o médico do plano de saúde vai acreditar que o que o governo lhe oferece é algo """"""parecido"""""" com o que só um rico pode pagar? 

É óbvio que a razão da insatisfação da gestante no SUS está no atendimento violento e sem qualidade tão denunciado nas ruas por todos brasileiros. E também parece que a razão pelo governo, entidades e associações investirem todas as fichas em campanhas publicitárias ou pesquisas pelo parto normal está mais atrelada aos números internacionais da OMS, ONU, etc... do que pela intenção de mudar o rumo desta guerra. Não é por acaso que a blogosfera materna sente que há um "movimento" em prol do parto normal e contra a cesárea, apesar da vida real provar o contrário. Afinal, as campanhas existem e pipocam por todos os cantos...São milhões (ou bilhões) de reais investidos nos ícones do parto humanizado, mas a sensação é de que quase nada é feito para e pelas pessoas reais, sejam elas gestantes, profissionais da saúde ou até aquelas que estão dentro das instituições privadas.

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VIDA NOVA, de verdade mesmo!!! Mas essa promessa não tem nada a ver com a busca pelo "ser perfeita" do ANO NOVO. Eu realmente estou nascendo de novo. Não é tão eufórico como foi da segunda vez, mas sem dúvida nenhuma é um nascimento. E aí já acessou os hiperlinks?

Não? Ah, então, dá pra fazer mais suspense para lhe contar que realizei meu sonho: estou grávida da Clarissa. Ela já tem todo pique do universo, bate as perninhas e as mãos o tempo todo. Estamos juntas há quase 22 semanas, mas só agora posso curti-la como uma Mãe de Menina. Ah...e como isso faz diferença!!!

Antes misturava essa ânsia de saber o sexo do bebê com os medos da gestação e cada pensamento parecia uma tortura: e se for menino e eu o tiver tratando como menina, ou vice-versa. Eu já sabia o quanto os medos são normais durante a gestação, mas aprender a controlá-los e colocá-los no lugar faz parte do meu nascimento como mãe gestante aos 37 anos. E haja pedidos de exames “de rotina” porque já passei dos 35. Ainda não sei se farei parte desta rotina de risco...mas isso merece outros posts.

Aliás o que não faltam são desabafos nesta gestação: o reflexo do aborto da segunda gestação, o desafio de encontrar um obstetra, o absurdo do custo de ter um parto normal fora de casa, o reflexo dos conflitos de interesses da indústria da saúde, enfim, neste ano de 2012 vivo na pele o que as Vanessas viveram no ano de 2010. E será que, desta vez, você terá alguma coisa a ver com ISSO?

É revoltante vivenciar os absurdos da falta de política pública na saúde materna e perceber o quanto o Brasil ainda está tão distante do básico. Só quem vivencia e percebe tais absurdos entende o porquê o discurso de militantes soa em tom de guerra. Aprendi, no entanto, que se apropriar das palavras de guerra não faz bem para a jornada de quem busca um parto normal. Melhor mesmo é meditar! Visualizar seu parto, conversar com seu bebê, prepará-lo para as contrações e dilatações, respirar, relaxar e concentrar. Quem me ensinou isso foi o livro da Fadynha: Meditações para gestantes!

Ainda não achei minha doula nem minha obstetra...mas já sei onde a Clarissa pode nascer em função das regras do meu plano de saúde e da minha primeira cesárea. Esse tem sido meu principal desafio neste nascimento...hajam desabafos para registrar o que já vivenciei. Só pra não deixar você com muita curiosidade: amanhã terei consulta com a SEXTA obstetra.
Enfim, nascer é uma jornada e tanto. A VIDA NOVA começa muito antes da grande chegada, e pra chegar de verdade onde a gente nem imagina é preciso passar por uma transformação, que envolverá a perda de algo. A Clarissa vai perder esse cantinho gostoso e aconchegante do meu ventre, enquanto eu...afff  vou perder tanta coisa. Talvez, o principal deles seja o medo de ser a melhor mãe do mundo de meninas.Risos! PS: e eu ainda achei que ia sair do script do “ser perfeita” no ANO NOVO tão bem escrito pela mestra Márcia Denser.

Feliz Ano Novo!

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Vem comigo, bem ALTO!
Permita-se quase bater o pé na lua - aproveita que a de amanhã é cheia e mergulhe bem fundo no ano de 2011. É hora de balançar...pensar no aprendizado, nas dores e vitórias. CALMA! Ainda não precisa saber o que vai ser diferente em 2012. Tudo ao seu tempo...ainda estamos balançando, no ritmo do vai-e-volta.
Eu aprendi a fazer isso aqui e praticar a feitura do presépio a cada semana foi um meio de eu entender o momento em que vivemos agora.

A idéia não é fazer aquele balanço cheio de listas com caneta vermelha e azul, mas de olhar para as fases da sua vida, o ciclo da sua maternidade, o aprendizado de ser mãe de um bebê, de uma criança e também de deixar de ser bebê ou criança. É um balanço mais alto.

Ele começa quase vazio, somente com as pedras, os rastros mais recentes ou os mais antigos e inclui até as estrelas do céu...assim como essa imagem do começo de um presépio do Advento. Parece feinho perto da maravilha dos enfeites de Natal, mas vale a pena ver o brilho nos olhos dos nossos filhos que vão a cata das pedras quase insexistentes nas ruas de São Paulo e buscar um balde de areia no parquinho do condomínio. Sim, a areia do balde volta para o parquinho porque a gente usa só um tiquinho...Mas tem coisa melhor que subir com balde de areia no elevador!?

Depois com o tempo, a cada semana, você vai acrescentando "reinos" neste presépio: vegetal, animal até ter todo cenário pronto para a chegada do menino Jesus...Neste ano, descobri que a "brincadeira" fica melhor ainda quando a gente coloca a Maria desde inicio no cenário, caminhando até chegar na noite de Natal. É tão fácil de ser feito que não dá pra acreditar nos milagres que essa prática faz na nossa vida. A gente aprende a pensar mesmo mais pra dentro, o tal do internalizar-se!

Pode até ser que a prática faz milagre mais comigo do que fará com você. Talvez porque eu nasci tão espalhafatosa, extremamente aberta para tudo e todos, sem nenhum cuidado com a privacidade que levei até susto quando descobri o quanto é importante balançar quietinha, sozinha e só contigo. A gente começa a ouvir os absurdos que a gente desabafava assim sem mais nem menos, mas cheio de dor, de raiva e de infantilidade. E aí a gente se acalma e começa a balançar para o perdão. Não há ninguém melhor para nos perdoar do que nós mesmos. Isso eu já aprendi.

Mas difícil mesmo é colocar o perdão em prática. Bem, mas o ritmo do balançar é devagarinho. Tudo ao seu tempo. E, aí, topa balançar devagarinho, nesse vai e volta, enquanto o Natal se aproxima?!
Outro dia, Tomás me disse que não sabia o que pedir para o Papai Noel. Repondi para ele que era um sinal que ela já tinha tudo e não precisava de nada. Ele pensou e, pra minha supresa, respondeu:  verdade! Disse, então, pra ele esperar uma surpresa do Papai Noel… dias depois ele me aparece com uma cartinha com possíveis opções de “surpresa”: um carrinho e um contador de moedas. Ele acredita em Papai Noel e, durante o ano todo, tenta se comportar (kkkkk o que é praticamente impossível em se tratando de uma criança de seis anos). Também me pede pra contar a história de Jesus, pra assistir o filme Polar Express, fazer cookies nos formatos de gingerbread man e árvore de natal... e, lógico, montar a danada da árvore.

Tento ao máximo não relacionar o Natal, e outras datas, ao consumo. Aqui não tem dia dos pais, das mães , dos namorados e nem das crianças. Por exemplo, no Valentine´s Day  escrevemos uma carta para as pessoas que gostamos e queremos bem! Nada de bombom, flor etc… é uma carta com palavras bonitas. Conheci uma americana que me contou presentear as filhas no Natal com “memórias” e não presentes. Ao invés de  uma boneca, ela leva as filhas para uma aventura, por exemplo, um passeio a cavalo com a família ou ver um espetáculo de Natal.

É um desafio, mas ainda é possível não transformar  tudo em comércio. Meus filhos têm pouco acesso às publicidades, entretanto, eles têm amiguinhos que mostram a nave do Star Wars, o carrinho do Mickey Mouse e por ai vai… Não dá pra viver numa bolha, mas com um pouco de criatividade dá pra transfomar esse desejo de consumo em algo educativo e divertido. Tomás e Arthur agora respiram Star Wars e era um tal de pedir Star Wars isso e aquilo… Sinceramente, uns bonequinhos que custam o olho da cara. Pra acalmar a ansiedade, falei para o Tomás fazer um livro do Star Wars com personagens e estórias. Ele amou e dedicou-se durante dois dias ao projeto feito com papel sulfite e canetinha. Quando ficou pronto, fiz upload do livro e imprimi… acho que foi um dos melhores presentes que ele ganhou!

Pra resolver a questão da nave espacial, peguei uma caixa enorme e pedi para ele e Arthur montarem o danado do “spaceship”. Desenharam, fizeram buracos, colocaram até mesmo uma “lâmpada” (uma laterna pedurada no “teto” da caixa). Decoraram com colchão, livros e um microondas de brinquedo. Perfeito! Não ajudei nada! Tudo saiu da cabecinha dos dois… e ficou lindo. Eles brincam, praticamente, todos os dias na “nave” e adoram! Eu e meu marido mais ainda… principalmente quando pensamos nos $$$ economizados! Criança perde interesse tão rápido… melhor, então, guardar o dinheiro pra comprar algo mais duradouro: uma “memória”, por exemplo.

Como vocês lidam com a dupla consumo x natal em casa?