Feche os olhos! Imagine seu filho aos três anos de idade! Provavelmente, ele não vai querer mais seu peito! Pense nisso!
Agora, olhe para o lado. Já se questionou os porquês ouvimos tantos "ah, que saudade! Passa tão rápido"?
Ouça isso!
Podemos até balançar a cabeça concordando com o desconhecido, mas a gente sabe que essa expressão não é verdadeira. Ninguém fala isso só para ser agradável. Esse sentimento comum (a saudade) não acontece assim por acaso. Eu já o vivenciei e posso lhe garantir que essa saudade representa uma lição daquelas que a gente quando vivencia sabe que tem alguma coisa distorcida, alguma coisa que a gente pode melhorar, alguma coisa que a gente pode mudar, mas a gente prefere ignorar essa sabedoria e repetir a expressão padrão: eu sabia que ia passar rápido, mas não imaginava que seria tão rápido!
Pois bem, minha missão diária é mudar essa trajetória. É possível, mas eu não a vivencio na maioria das vezes, seja pela falta de consciência, pela covardia ou pelo meu automatismo.Do que eu estou falando na prática? De dar mamar presente e inteira, independente da hora e do lugar. Vivenciar a conexão, o encontro e a demanda do bebê. Elas são extremamente intensas e fortes. Mas ao invés de potencializarmos essa força e intensidade, geralmente, a gente direciona tais características para o lugar comum do cansaço, e assim, perdemos a chance de vivenciá-las.
É complexo! Mas não precisaria ser...se a gente não tivesse tão acostumado a ser moderno, consumista e prático. Por isso, desabafo! E, porquê desabafo com você? Primeiro porque preciso refletir sobre isso, partilhar contigo meu desafio. Segundo porque eu queria muito falar sobre a AMAMENTAÇÃO de um jeito avesso ao que vivemos.
Queria começar essa conversa sem o tabu dos lugares públicos, da indústria artificial e do leite de vaca. Queria dizer a quem começa agora a amamentar para vivenciar este momento como se fosse único, sem prestar atenção no cansaço, na recomendação da ONU, das ativistas nem no preconceito cultural. É um baita paradoxo, mas o que tô tentando lhe dizer é: se você é uma expert na natureza humana, siga o ritmo dela.
Se você é um ser automatizado e moderno como eu, então, imponha-se a recomendação de amamentar seu filho os 6 meses exclusivos, mas (atenção!) tente esquecê-la. Quando estiver cansada, pense na sua alimentação, no seu sono, na sua rotina, jamais que faltam apenas três dias para completar os 6 meses exclusivos. Quando estiver com muito sono e louca pra virar na cama, pense nos seus rituais, na sua caminhada, nos exercícios físicos, jamais que faltam só alguns meses para completar o primeiro ano de amamentação e quem sabe, agora, pode começar a colocar o bebê pra dormir no quarto ao lado ou fora da sua cama.
Eu, agora, que já passei os 6 meses exclusivos e o primeiro ano de muito peito com papinha em pedaços, resolvi adotar a curtição, o presente e o agora. Primeiro porque achei um absurdo a expressão "prolongada" para quem dá peito até aos dois anos, segundo porque achei um absurdo a gente ainda ler que há preconceito com bebezão no peito.
Eu não quero trazer essa cultura para minha vivência. Eu não quero investir nessa defesa pela amamentação. Eu não quero achar que o cara do lado tá achando esquisito eu dar peito pra uma criança que tem mais de um ano. Eu quero viver a natureza humana, quero dar peito sem vergonha e sem a vaidade de ser diferente. Quero dar peito como gente sem cultura nem história, mas como gente que tem peito que dá leite de gente, entende?
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