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In-laws.

Sim, o assunto é complicado… e complica mais ainda quando envolve os netos.
Em seis anos, essa é a primeira vez que o Tomás mora perto dos avós. Era para ser uma maravilha se não fosse… hummm… trágico! Assim como existe o filho favorito, existe também o neto favorito.

Não é balela… o negócio é real, infelizmente, e pode afetar a auto-estima e causar danos emocionais nos netos preteridos.

Já adianto, Tomás não é o favorito. Patinho feio mesmo e, ultimamente, ele tem sentido na pele o que é viver na sombra do neto favorito. Pra começar, o neto favorito é filho do filho favorito. Ele tem um quarto especial, decorado com balões e brinquedos, para dormir quando vem passar as férias escolares com os avós parternos. Ele é sempre elogiado: tem boas maneiras, limpa o nariz sozinho e faz equitação, só equitação! Porque criança que faz muitas atividades não é bom em nada, como já escutei diversas vezes…
Para lidar com isso, é preciso paciência de Jó e muita psicologia…

Desde que nos mudamos para Bruxelas, Tomás me pede para dormir na casa da avó. Desculpas aqui e acolá, a resposta da avó é sempre a mesma: não. Quando o neto favorito chega da França, ele dorme a semana toda no quarto especial e desfruta de diversas atividades programadas pelos avós. Ah! A avó ligou e me disse que  DURANTE UMA SEMANA DE ATIVIDADE PROGRAMADA, ela vai trazer o neto favorito uma vez na minha casa para ele brincar com Tomás. Hummm… então, ela chega na minha casa com uma sacola cheia de bolachinhas e suco… para o neto favorito. Tomás olha pra minha cara e me pergunta, onde está o meu?

Não me aguentando de nervoso, pergunto: o que vocês vão fazer amanhã e depois de amanhã? Desculpas ali e acolá, “não sabemos… depende do tempo”! Insisto! “Talvez vamos levar o “neto favorito” ao cinema… Pergunto na lata “ porque não levam o Tomás”. Hum… pode ser! PODE SER? E isso lá é resposta!?! Alguém me explica que negócio é esse? Dai, para piorar, Tomás me pergunta “mãe posso dormir na casa da vovó com meu primo?” Respondi que ia perguntar… liguei e perguntei! Desculpas aqui e acolá, a resposta da avó é, pasmem, NÃO…. Dai senta que lá vem a estória: “não vai dar porque o neto favorito dorme no quarto especial que só tem uma cama, o neto favorito dorme cedo, às 20h30, e acorda tarde, às 9h…. (errrrr por acaso não escutei vocês conversando com o neto favorito sobre o desenho que ia passar na tv às 20h30!!!!! Hora do neto favorito ir pra cama?)”. E que “raios” de avós são esses que não podem acordar às 8h com o neto que acorda mais cedo uma vez na vida?
A casa da avó tem seis quartos, todos com camas. Mas só um quarto é especial e, ninguém, além do neto favorito, pode dormir lá… A cada viagem ao exterior, o neto favorito ganha uma mala cheia de presentes… Quando os avós visitam Tomás, ela vem com um brinquedo que pertencia ao meu marido… vez ou outra, com um livrinho de pintar ou uma camiseta.

Dai, quando o neto favorito vai embora… e ela vem nos visitar e Tomás corre para o quarto sem vontade de ficar perto dos avós, ela me pergunta com aquela cara de vítima “o que ele tem? A gente fez algo para deixa-lo assim?”
Era para ser engraçado, se não fosse trágico!
Por favor, aceito dicas (não violentas) de como lidar com esse tipo de situação! Para as avós que estão lendo esse post, seguem dicas de como evitar o favoritismo e massacrar o espírito do neto preterido...

Obs. Minha mãe também tem um favorito... mas como filha, o papo é outro... sento, converso e aponto o erro. Sim, porque é um erro um adulto agir dessa forma com uma criança... Já meu marido, vê o erro, sofre mas prefere não "cutucar" os marimbondos... ele mesmo patinho feio irmão do Rei Leão aiaiaiaia.
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Eu nunca tive medo de dor e, apesar de ter sido criada pela mídia que evoca o terror do parto, sempre achei lindo o ato de parir...Sempre imaginei que parir como uma mamífera era uma oportunidade de se tornar mulher, de conhecer um novo mundo. Ou seja, de conhecer a si própria. Quando lia sobre o parto de alguma mulher sentia que aquela experiência poderia ser um dos portais da vida, onde você se encontra consigo mesma, onde você se encontra com a essência do humano. Eu perdi todas essas expectativas quando fiz minha cesárea.

Naquele momento, nascia em mim uma experiência de tragédia onde senti extremamente perdida, com muito medo e uma dor profunda que até hoje me faz chorar...Eu não consigo falar sobre minha cesárea, eu não tenho detalhes técnicos sobre aquela cirurgia ( dilatação, contração, teve trabalho de parto, ou não, tirou tampão, ou não)...Sim, eu acho que criei um mecanismo de defesa para suportar AQUILO. Mas, e agora, eu tenho medo de quê? 

Eu sinto pânico de acontecer de novo...E me sinto culpada, MUITO CULPADA quando escolho um hospital para ter a Clarissa. Mas eu não sei responder qual razão de não escolher o parto em casa ou nas casas de parto. Penso o quanto nunca associei meu apartamento como um lugar aconchegante para ter um filho e o quanto não suportaria ficar numa sala de espera com outras mulheres descabeladas esperando um quarto para ver minha filha. Eu vi isso acontecer em uma casa de parto e chorei de raiva. Eu não quero isso pra mim!!!

SIM, você tem razão: eu queria que os hospitais privados estivessem dispostos a receber mulheres como eu num quarto com MUITA privacidade, sem nenhuma intervenção, com muito respeito ao meu corpo e com a presença da minha doula, do meu marido e da obstetra que age como parteira. Eu queria que os hospitais fossem além do conceito de hospedagem-cinco-estrelas para mulheres de risco e oferecessem também um ambiente aconchegante para mamíferas. Verdade, você tem razão: isso é coisa de criancinha que fantasia a realidade...Isso não existe no Brasil!

Ufa! Descobri. Meu medo é acontecer de novo porque eu não escolhi ter em casa. Tenho pânico do ambiente hospitalar. Tenho medo de não conseguir me defender do ambiente intervencionista, de precisar brigar com alguma enfermeira, da cadeira de rodas, da ocitocina, da tensão de precisar escolher entre a doula e meu marido e, o pior, de ouvir: "não dá mais, temos de fazer uma cesárea".

Eu não suportaria ouvir isso de novo.

Racionalmente, eu sei que tenho um caminho longo para aceitar a cesárea necessária, mas emocionalmente, eu não quero tê-la de jeito nenhum. SOCORRO!!!! Como resolvo esse dilema, essa dor e esse medo?

O que não faltam são mãos estendidas para me ajudar: doulas, ativistas, obstetra, minha terapeuta, as gestantes do GAMA. Todas me trazem um olhar tão simples: entrega-se! Permita-se! Chega de tanto controle, chega de querer mudar o mundo para se encaixar nele...Verdade, mas descobri algo ainda mais forte: chega de querer fazer do jeito certo. Eu não dou conta de parir em casa.

Talvez, consiga superar a ideia de parir numa casa de parto, mas meu lugar é o ambiente hospitalar. É um lugar inóspito para que eu quero, mas é o lugar que eu consigo agora. Tenho medo dessa escolha, muito medo, mas eu preciso ser responsável por ela. Eu preciso respeitar meus limites porque não há tempo de vencer tantos preconceitos arraigados dentro de mim. Não basta entender racionalmente que o melhor é parir em casa...Preciso entregar-me a isso no tempo da Clarissa, que é bastante diferente do meu. Pode ser que o meu tempo não seja suficiente para superar tantos preconceitos. Então, lá vou eu visitar os hospitais em busca do meu parto normal! E, você, como tem enfrentado seus medos?
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Não interessa a quantidade de livros que li sobre educação infantil... ainda me interesso pelo assunto. Tenho vontade de acertar, ainda mais agora morando numa cidade onde a tolerância para crianças mal educadas é praticamente zero. Não preciso dizer que já recebi  "olhares" na rua e nos mercados quando Arthur esperneou e gritou. Definitivamente, não agradamos. Nem ele, com seus gritos, nem eu, com minhas broncas. Dá pra fazer melhor? Pelo visto dá. A jornalista americana Pamela Druckerman, que mora na França, acaba de publicar um livro elogiando a forma como as mães francesas educam seus filhos, aparentemente mais pacientes , educados e que, além de tudo, comem brocoli, espinafre e outros alimentos ditos "pra gente grande".

Nesse artigo, ela explica que a razão disso está em como as mães francesas ensinam seus filhos, desde bebês, a exercitarem a paciência, ou seja, elas não param tudo para atender imediatamente as vontades do filho. Errrr... ops, confesso que, para não escutar o grito e o choro do Arthur, muitas vezes deixo de fazer o que estou fazendo para pegar isso ou aquilo ou fazer isso ou aquilo. Nos restaurantes, confesso, é um estresse sem limites, tanto que eu e meu marido já deixamos de frequentar há alguns anos. Simplesmente não dá. Outro ponto para as  mães francesas. De acordo com Druckerman, as crianças francesas conseguem se sentar civilizadamente num mesa e comer sem abrir todos os pacotes de sal e açúcar e, principalmente, não derrubar o vidro de vinagre no chão.

E .. sobre educação, isso é verdade... elas sempre falam "bonjour", "au revoir" e "s`il vous plait" . O tratamento aqui é vous (para quem você não conhece ou pessoas mais velhas) e sempre, sempre "madame", "monsieur". Sim, meus filhos falam por favor e obrigado (são frequentemente lembrados das palavras "mágicas"). No caso, Druckerman diz que é importante também fazer os filhos cumprimentarem adultos com bom dia, boa tarde e boa noite, pois isso os leva a perceber que o mundo não gira em torno deles, que existem outras pessoas (adultos) com interesses e vontades. Sempre faço meus filhos cumprimentarem meus amigos, mas nunca pensei dessa forma.. ah! e nem sempre eles falam "bom dia ou boa tarde"... às vezes é simplesmente um "oi" com a cabeça baixa ou escondido atrás de mim...
Me sinto um peixe completamente fora d´água aqui... e, lógico, péssima mãe, com filhos selvagens que gritam, se jogam no chão e choram sem parar quando escutam "não". Esse livro veio em boa hora pra me lembrar que meu filho é meu filho, não meu chefe; que ceder para não escutar o choro nos próximos cinco minutos traz consquências mais graves no longo prazo (crianças, ou pior, adolescentes tiranos). Mas nem tudo está perdido... Arthur gosta de brocoli ; )

Olho por olho, dente por dente...

Na contramão do livro de Druckerman, outro assunto tomou conta dos jornais e sites de todo o mundo: um pai americano postou um vídeo no You Tube para dar uma lição na filha, mal educada, que reclamou dele publicamente no Facebook acusando-o de obriga-la a fazer todo o trabalho doméstico da casa... detalhe: fazer a cama dela, varrer o chão da cozinha e do quarto, limpar a mesa quando estiver suja e esvaziar a lavadora de louça.  A menina havia ocultado a mensagem para que os pais não pudessem ler, mas o pai, que trabalha numa empresa de IT, decidiu fazer um upgrade no notebook dela (para isso gastou 130 dólares em softwares) e achou o tal post no Facebook. Resultado: ele não apenas deu a bronca pública, mas também literalmente detonou o notebook com nove tiros. Outro, segundo ele, só comprando com o dinheiro dela.
Resumo da história: tem gente que acha exagero eu me preocupar tanto com o comportamento nada saudável do Arthur. Mas ao ler a notícia acima, me dá arrepios pensar que meus filhos possam se tornar adolescentes tão mal educados e tiranos... Acho melhor ir de "francesa" agora e pecar pelo exagero que sair detonando notebooks daqui alguns anos! O que acham?
Você já percebeu o quanto a leitura tornou-se senso comum na escola, na livraria ou no marketing do banco? Ninguém é contra a leitura infantil. Tem até uma avalanche de opções de livros para bebê. Não deve ser por acaso que assim que a gente descobre um embrião na barriga, a gente chega também a imaginar como vai ser contar estórias pra ele. Pelo menos, comigo foi assim. Cheguei a comprar três livros infantis durante minha primeira gestação em que o consumo exagerado fazia parte das expectativas de ser mãe...

Quando a Malu chegou e conseguia ficar sentadinha, meu orgulho era "ler" para ela. Vibrava quando ela respondia o som dos bichinhos de um livrinho que brincava de "achoooooooooooou". Depois virei blogueira, descobri a rede das dicas de mães, sofri ao ler Lobato, admirei algumas listas de livros e encontrei a chave mágica. Foi, então, que nasceu as Rainhas do Livro. E isso significa que nasceram novas perguntas: afinal, mãe só serve pra gerenciar o que vem de fora na hora da leitura em casa? 

Cá entre nós, você já percebeu que a escola sabe qual é o melhor livro para meu filho, as revistas sabem qual melhor livro para meu filho e até o banco já selecionou livrinhos que estão na lista dos melhores para meu filho...Ah, vale lembrar que, na era do "incentivo e estímulo à leitura", há muitos artigos que me ensinam que até meu filho tem o direito de escolher o que ele quer nas livrarias. Mas, e eu? EU não tenho nenhuma responsabilidade nessa formação? 

Foi essa pergunta que nos levou até aos contos tradicionais. Mãe deve e precisa gerenciar o que vem de fora. Ou seja, a gente é obrigada a acompanhar a leitura da escola, a comprar o livro no shopping e até debater sobre as listas dos melhores, mas resolvemos que toda mãe também merece ser Rainha do Livro. E quando se trata de rainha não basta só abrir a chave mágica. É preciso pegar o tesouro e trazê-lo pra dentro de casa. (Mais detalhes no post da Vanessa).

A gente sabe que tem muita coisa boa que vem da escola, da livraria e do marketing do banco, mas queremos MAIS. Queremos saber o que está escondido nas estantes: os contos africanos que misturados com os indígenas, judaicos, italianos e portugueses formaram nossos mestres brasileiros. Não queremos SÓ o folclore brasileiro da cuca, do saci ou da Moura Torta e Pedro Malasartes. Queremos saber se a Anansi é mesmo a principal lenda africana contada pelos negros ou onde há mais Kaká Werás fazendo fábulas indígenas. Enfim, queremos trazer o que os nossos tataravós traziam para nossas famílias quando leitura era coisa que nem existia. Mas será que nós, AS MÃES, têm o direito de ocupar um lugar na leitura familiar diferente daquele que a escola, a revista e o marketing já nos deram? Ou melhor, será que damos conta de assumir esse novo papel diante de tanta obrigação que essa onda em prol da leitura familiar nos impõe? Ufa! O que não faltam são perguntas...Por isso, convido você para parir mais, mais, mais e mais perguntas na roda do Rainhas, topa? 
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Ontem, essa notícia me chamou a atenção. Mas, incrível mesmo, foi ler comentários como: “pagou pela própria imbecilidade”; “não vejo vantagens no parto normal – 1. A mulher sente muita dor, 2. A mulher tem que fazer mais força e corre o risco de estourar um vaso no cérebro e morrer”; “uma anta a menos no mundo”; “burrinha”…  e por ai vai. Quando leio isso, não me vem à tona a palavra crueldade, mas ignorância.
Como havia comentado nesse post da Ceila, se eu estivesse morando no Brasil na época que tive meu primeiro filho sem dúvida alguma teria feito cesárea. E, sobretudo, acreditando ser esta uma escolha consciente. Eu cresci perto de mulheres que fizeram cesárea e, por isso, a cesárea logo seria a melhor opção. Lógico. Foram anos e anos escutando coisas como: “se precisa cortar algo, que seja a barriga”, “estamos no século XXI , temos acesso à medicina, a mulher não precisa sofrer”, “ o sexo muda muito depois de um parto natural” e blá, blá, blá. É, sem dúvida, uma lavagem cerebral. Como acreditar em ‘lé’ se você cresceu escutando ‘cré’?

Por isso quando leio comentários aqui no blog de mães que dizem ter escolhido a cesárea de forma consciente tenho minhas dúvidas. Eu também vivi isso, eu também me achava consciente, mas, realidade, minha opção pela cesárea se baseava naquilo que era mais natural pra mim e nas conversas de roda e não nos fatos reais. Como já disse antes, quando fiquei grávida, já no primeiro dia de consulta falei para  minha médica que queria cesárea. Ela me olhou em estado de choque! Disse que não era a primeira opção… mas eu bati o pé e ela, sabendo de onde eu vinha (Brasil, campeão das cesáreas), me acalmou dizendo que se em nove meses eu estivesse certa dessa decisão ela faria a cesárea e acrescentou que para um médico era muito melhor marcar uma cesérea do que ser acordado no meio da noite porque o bebê decidiu nascer às 2 horas da manhã. 

Durante nove meses, essa médica, com sua sabedoria e paciência, literalmente me ensinou sobre cesárea e  parto normal, humanizado, natural… Sem preconceitos. Em nenhum momento ela disse que um era melhor que o outro, apenas me mostrou a necessidade de um e de outro, o benefício desse ou daquele… e assim por diante. Na última consulta, ela me perguntou, já sabe o tipo de parto que vai ter? Minha escolha, agora sim consciente, foi parto normal com anestesia local.
E foi assim que o Tomás, que tinha tudo pra vir ao mundo de cesárea, nasceu de parto normal.  Quando digo tudo, eu quero dizer tudo: a bolsa estorou, mas não tive contrações; ele era super grande (3,960 kilos); teve taquicardia pela demora… Mas nada disso foi motivo para cortar minha barriga. Ele demorou 13 horas para chegar ao mundo, com ajuda de um vacuum. Nasceu saudável, gorducho e careca, do jeito que sempre sonhei! Eu sai da sala de parto e fui direto para o chuveiro e, minutos depois, estava com meu filho no colo caminhando no quarto. Não preciso dizer que a recuperação foi super rápida.

Fatos e relatos

Essas informações são da Anistia Internacional USA e se referem aos dados americanos. Nos últimos 13 anos, o número de cesáreas vem aumentando nos EUA.   Hoje, 33% dos partos são por meio da cesariana, ou seja, mais que o dobro do número recomendado (de 5 a 15%, do total de nascimentos).
Nos estados americanos onde o número de cesarianas é acima de 33% , a taxa de mortalidade materna é 21% mais alto que nos estados onde o número de cesarianas é inferior a 33%.

Como toda e qualquer cirurgia (que envolve corte da pele, abdômen, músculo e útero), a cesárea traz riscos para a mulher, pricipalmente quando é realizada mais de uma vez. Placenta acreta, que causa hemorragia durante o nascimento, é um deles. Muitas mulheres com placenta acreta perdem o útero e 1 em 15 sangram até a morte. Outro risco é o de embolia pulmonar. O tempo de recuperação é longo e leva até três meses para a mulher se sentir 100%, sendo que nas duas primeiras semanas não é recomendado dirigir; evitar exercícios durante quatro ou seis semanas; e não ter relações sexuais por seis semanas.

Isso tudo falado, acrescento, cesárea salva vidas e, assim como muitas mães que dependeram dessa cirurgia para segurar um bebê saudável nos braços, eu sou grata por esse avanço da medicina. Não defendo esse ou outro parto, defendo o DIREITO DA MULHER de se CONSCIENTIZAR e de se INFORMAR antes de tomar uma decisão como essa. Planejar é isso, é não deixar o médico “orquestrar” o SEU parto.

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Fazendo a caveira do parto domiciliar
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Você sabia que o maior desafio da gestação é esperar a hora do seu bebê nascer...Sabia mesmo? Eu também achava que sabia... Mas só descobri isso, de verdade, depois que fiz uma cesárea desnecessária. Só agora percebo que aceitei, sem pestanejar, induzir meu parto nas 39 semanas. Eu não sabia que, lá fora, os profissionais de saúde só pensam em indução após as 41 semanas. E mais: que existem muitos tipos de indução, inclusive aquelas que tendem a levá-la para uma cesárea.

Quando meu obstetra informou que eu podia sair daquela consulta e ir direto à maternidade, eu nem percebi meu olhar atônito, meu susto e o tremendo erro que eu cometia. A única coisa que ouvia era minha ansiedade de mãe de primeira viagem.  Só pensava em ver o rostinho da minha filha. É isso mesmo que você leu: daquela consulta...

Olhei para minha mãe, que me acompanhava naquela consulta de ROTINA, pedindo socorro e recebi um sorriso de volta. Devolvi o sorriso e mergulhei no meu pacto com a cesárea. Eu nunca quis fazer uma cesárea, mas eu não tive nenhuma capacidade para parar aquela trajetória. Tive várias sensações estranhas, mas nenhuma capacidade para ouvi-las. E, detalhe: EU NÃO SABIA que, lá fora, os profissionais esperam as 41 semanas para indução. Ou seja, eu não sabia esperar a hora do bebê nascer.

Eu nunca me preparei para aquela situação. Uma consulta de rotina e BUM! Minha bolsa não tinha estourado, meu bebê não tinha nenhum sofrimento fetal e eu não sentia nada de dor...Ou seja, não era a hora do meu parto. Mas tinha tudo pra ser a hora de uma cesárea. Mas eu não sabia das 41 semanas de espera para indução!!!

Ainda lembro do meu olhar atônito, imobilizada pela indução na cama, rodeada de fios e aparelhinhos e rezando baixinho para conseguir um parto normal. Estava extremamente assustada, com medo, muito medo de não conseguir parir. E lembrar que um dia antes daquela tragédia, eu tinha agradecido a Deus por aprender a esperar... “Como assim uma tragédia?”

Durante muito tempo, eu esqueci de que minha cesárea surgiu de uma indução inesperada e acreditei por muito tempo que o cordão umbilical tinha sido a razão pela qual eu fiz uma cesárea. Tudo para não expressar a palavra que espanta a sociedade: TRA-GÉ-DIA. Eu também não aceito afirmar que um nascimento pode estar relacionado à uma tragédia. Mas eu vivi isso.
Você sabia que toda vez que o movimento pró-parto tenta alertar o absurdo das taxas de cesáreas vem à tona experiências como a minha? São centenas de relatos de partos parecidos, cheio de dores e em busca do perdão. Pelo menos é assim que me sinto quando olho pra trás e vejo o quanto fui ingênua e boba ao permitir minha cesárea. Ouça bem: eu não te acho boba e ingênua porque você escolheu a cesárea, mas eu fui muito burra e ingênua quando fiz uma. Eu nunca quis fazer uma cirurgia na hora do meu parto.

Eu tenho MUITA raiva da minha ignorância, mas eu nunca te achei ignorante por escolher sua cesárea. Só acho que você devia saber que todo bebê tem sua hora pra nascer: espere! O que a minha raiva me provoca também é querer gritar aos quatro cantos do mundo AQUILO que eu não sabia. Eu sei que a OMS - Organização Mundial de Saúde - recomenda o parto normal por uma série de evidências científicas, que comprovam que parir naturalmente é mais seguro e benéfico para mãe e filho. Mas meu desejo de parir nunca foi baseado nas evidências científicas dos milhares de estudos que determinam a melhor forma de nascer do ser humano. Eu também não sabia disso. Só descobri "as evidências científicas" depois que eu permiti que roubassem meu parto normal.

Quando eu acho que devo gritar para que outra mulher não vivencie a minha tragédia, eu penso o quanto é importante você saber daquilo que eu não sabia, mas jamais julgarei a sua decisão. Por favor, não julgue a minha! Entenda apenas o quanto um sonho é importante para uma mulher! E divulgue aquilo que você também não sabia, que pode evitar a tragédia que eu vivi para outras mulheres.

Eu sei que é forte demais falar em tragédias na hora da chegada do nosso filho, mas eu preciso aceitar isso porque eu a vivi. 

Quero que você saiba que eu nunca senti que era menos mãe por ter permitido aquilo que eu não queria. Eu vivi essa tragédia, mas nunca senti tristeza ou dor quando vi a Maria Luiza pela primeira vez na minha vida. Eu vivi essa tragédia, mas nunca achei que estava fazendo mal à minha filha. Mas eu não posso negar que essa experiência foi uma tragédia na minha vida. Não posso negar minha ingenuidade e muitos menos aquilo que eu não sabia. Mas posso perdoar a mim mesma por não saber aquilo que outros sabiam e, agora, tentar fazer diferente daquilo que eu fiz na minha primeira gestação. E, você: o que não sabia?

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Mudamos novamente. Com muita dor no coração, deixamos nossa casa, escolas e amigos. Os meninos estão sofrendo e muito. Na semana passada, apesar de ter mostrado coragem no primeiro dia de aula, Tomas ficou doente no terceiro dia e não quis mais ir pra escola. Vomitou, chorou  e teve febrão. Fisicamente, ele está bem… o que não anda bem é a cabecinha dele. Muita coisa diferente, inclusive dois novos idiomas: francês e flamengo.

Tomas estava no processo de aprender a escrever e ler em inglês.  Sua professora era amável e ele tinha muitos amigos. Quando soube que ia mudar, quase enlouqueci procurando escolas para ele e Arthur. Passei noites lendo e relendo metodologias, críticas, comentários negativos e positivos… aquele processo chato , mas necessário, que todo pai precisa encarar. Escolhemos uma escola católica, semi-privada, que recebe estudantes de outros países.

Mas não é a mesma coisa, adianto. E as crianças perceberam isso no primeiro dia. A professora francesa fala alto e é ríspida. Me falaram que nas escolas públicas, de língua francesa, algumas professoras chegam a deixar os alunos de castigo… coisa bem colonial. Graças aos bom Deus, a professora do Arthur é um amor. Mas ele não quer saber, chora todos os dias e me pede pra voltar pra casa “véia” e pra classe da Ms. Kirstie.

Hoje de manhã foi um caos. Tomas se deitou no chão chorando para voltar pra casa. Arthur saiu correndo na direção do metrô… Bom dia pra mim! Para quem passa pelo mesmo que eu… segue essa dica de leitura com dias de como ajudar na adaptação dos filhos num ambiente bilíngue.  Também estou aceitando dicas de  mães expatriadas!!!

Antes que eu me esqueça, um ótimo 2012 para vocês … de Bruxelas!