Eu já chorei, chorei, chorei, chorei e chorei muito. Desesperei. Entrei numas neuras e cheguei até perder a esperança em mim e começar a desconfiar do meu corpo. Tudo por causa da espera. As sensações são bastante conhecidas: angústia, tristeza, desânimo e adrenalina pura. Não foi nada igual ao passado, mas eu já conhecia essa dor da espera, ou da expectativa. Eu achei que já tinha enfrentado os maiores monstros da gestação, mas confesso: a ESPERA, sem sombra de dúvidas, foi o maior deles. Mas foi ela também que me trouxe a maior lição: confiança em si mesma!
É lógico que não mergulhei nessa "maldição da espera" sem o dedinho lá de cima. Afinal, eu já sabia da importância de esperar a hora do bebê desde o dia da concepção da Clarissa. Estava mega-hiper-super preparada com orientações para respirar com a vulva, meditar mantras, exercícios com a bola, caminhadas, listinha de filmes, banhos demorados e massagens. Tive de enfrentar algumas etapas - antes do dedinho lá de cima tocar na ferida - relacionadas ao DESLIGAR-SE!
Não dá pra esperar se você ainda está plugada no mundo. Afinal, aqui e agora, somos ligados na tomada "se vira nos 30" que exige, no mínimo, que você esteja pensando mil coisas ao mesmo tempo já que não está fazendo nada, enquanto todos estão fazendo mais de mil coisas ao mesmo tempo. Esse processo foi quase missão impossível...(prova disso é que estou aqui blogando pra você), mas consegui conquistas impensáveis como dormir a tarde, não preocupar com dinheiro, não pensar nas possibilidades profissionais pós-parto, não entrar no Facebook, GMail ou Twitter por dias consecutivos. E muitas outras coisitas.
Eu não desliguei 100%, mas eu me senti desligada em diversos momentos, o que já me deu uma visão de mundo completamente nova e diferente. Foi, então, que o dedinho tocou na ferida. Meu tampão saiu na semana passada, pleno sabadão, próximo à grande virada da Lua, cheia de significados fortes e universais. Não tive dúvidas: fui caminhar no Ibirapuera até meia noite com a família. Estávamos rindo à toa, com olhares cheio de expectativas. Virada, nada. Ouvi dizer que a força da lua vinha mesmo na terça. Esperança a mil, e NADA!
Foi, então, bem devagarinho que comecei a relembrar da primeira lição: espere! A DPP era dia 11 ou 12 de maio. Porquê tanto desespero? Talvez por isso, desta vez, eu consegui refletir mais sobre a opinião dos OUTROS. Quanta cobrança e pressão existem na boca e olhares de todos os desconhecidos que têm a coragem de questionar o tempo da minha filha. Virou hábito do porteiro, do atendente do supermercado, da dona da loja da esquina...E haja força para manter a cara de pastel diante das piadinhas dos mais chegados ou dos telefonemas desesperados e ansiosos da família e dos amigos. Chegou? chegou? chegou? NÃOOOOOOOOO!
Eu tive certeza absoluta de que ninguém neste mundo está preparado para ESPERAR! É muita PRESSÃO. A sensação é de que você precisa resolver isso rápido, ninguém mais pode esperar. SIM, a espera torna-se um problema universal. Foi assim que comecei a chorar, ter neuras, angústia, raiva, raiva, raiva, MUITA RAIVA, mas só mergulhei na maldição MESMO quando aceitei fazer o tal do ultrassom, que me trouxe de presente o Oligoâmnio. SIM, aquelas palavrinhas terríveis que lhe dão pânico e você não tem ideia do que se trata: pouco líquido amniótico, tem risco para o bebê, é preocupante, precisa ficar alerta, vai ter de monitorar daqui pra frente...Sacou, né? Entrei na paranoia total. Bebia água, caminhava, mas o medo era muito maior...Pra variar surge aqueles desconhecidos insuportáveis que lhe garante: ué, mas você pode não ter contração? Aí, vai ter cesárea. Só faltou um riso de bruxa no final da frase da desconhecida que encontrei na manicure neste sábado.
Mas basta usar o recurso "pesquisa avançada" pra conhecer Gisele. [Se você chegou aqui por causa dessa palavrinha infernal, corre para ler o relato de parto dessa guerreira]. Gisele foi quem mostrou o que o dedinho lá de cima queria apontar: confie em si mesma! Confie na sua decisão, seu corpo funciona, você não está colocando em risco a vida do seu bebê: espere!
Tô aqui esperando...agora, sem choro e com muita água!
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