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Por Ceila Santos

Você sabia que a vacina de catapora só se tornou disponível pelo SUS há sete meses? Super recente, né? Não é nada estranho que você não tenha ouvido falar disso, pois não houve campanha de lançamento da vacina pelo Ministério da Saúde*. Uma das razões é porque a vacina foi inserida no Calendário Nacional de Vacinação através da tetra viral, lembrou agora? Não! Bem, é que a chegada da Tetra Viral gerou algumas confusões para quem pagava a vacina na clínica particular, como mostra as blogueiras da Folha.

Duas questões vieram à tona quando eu e a Sueli descobrimos isso. Primeiro: catapora mata? Segundo: faz mal inserir tanta toxina numa única vacina? Ou seja, quais são as reações de aplicar uma tetra viral quando comparado com a prática de tomar uma vacina por vez?

Eu nunca ouvi falar de morte de catapora. Eu tive catapora, meus irmãos tiveram e um monte de amigos, também. Vale informar o porquê dessa minha lembrança: descobri a partir do debate, que promovemos no Facebook, que todas as vacinas provocam reações, ou seja, tem suas complicações, mas que a aplicação é válida pelo seu custo-benefício. Ou seja, a premissa da vacinação é de que vale a pena correr os riscos da vacina em prol dos seus benefícios. Por isso, as vacinas de caráter obrigatório são recomendadas em função da sua fatalidade. Ou seja, vacina-se pra prevenir a morte pela doença infantil.

A Sueli pesquisou e descobriu que, sim, a varicela mata!  Ela pode ser severa e até mesmo causar a morte: uma em cada 10 mil casos. O Ministério da Saúde confirmou a informação através da assessoria de imprensa, que enviou a seguinte resposta via email:

Pergunta: Também tenho dúvida sobre o perigo da catapora. Ouço muito que a razão principal para corrermos os riscos das complicações das vacinas é pela sua fatalidade, ou seja, pela doença ser muito perigosa - eu nunca ouvi que catapora mata, eu, meus irmãos e todos os meus primos tiveram catapora, queria entender os riscos da catapora, teria alguma fonte para indicar?

Resposta: O vírus varicela-zoster (VVZ) causa duas doenças clinicamente distintas: a varicela, que resulta da infecção primária do hospedeiro suscetível, é comum na infância, muito contagiosa, geralmente benigna, ocorre em epidemias e se caracteriza por exantema generalizado, e o herpes-zoster, que representa a reativação do VVZ, latente nos gânglios nervosos sensitivos após a primeira infecção, mais comum em adultos e que se caracteriza por erupção localizada.

O quadro comumente observado na maioria dos pacientes com imunidade preservada é a varicela clássica, caracterizada pelo exantema papulovesiluar de distribuição centrípeta (cabeça e tronco) e com polimorfismo regional das lesões (mácula, pápula, vesícula, pústula e crosta), febre, mal-estar, cefaléia, adinamia e anorexia. O prurido pode ser intenso e extremamente desconfortável, impedindo o repouso do paciente. O mesmo ocorre nas lesões da boca, muito dolorosas, impedindo a deglutição.

A forma mais letal da doença é a varicela hemorrágica, caracterizada por infecção generalizada e progressiva, potencialmente fatal, com manifestações hemorrágicas, inclusive coagulação intravascular disseminada. É nela que a pneumonia assume seus aspectos mais dramáticos.

Em relação à varicela e a gravidez, têm-se observado casos de morte em gestantes com pneumonia. Já o efeito da varicela gestacional no feto podem ser anomalias cromossômicas e malformações. Quando a grávida é acometida de varicela nos 21 dias que precedem o parto, cerca de 25% dos recém-nascidos apresentarão a doença nos primeiros dez dias de vida (varicela congênita). Ao contrário da varicela adquirida depois do parto, a varicela congênita pode ser muito grave, com alta letalidade (até 35%), sobretudo quando a gestante apresenta a doença nos últimos cinco dias antes do parto. Nesse caso o recém nascido pode apresentar varicela com 5 a 10 dias de vida, com alta incidência da forma disseminada, com hemorragias e comprometimento pulmonar e hepático. A varicela adquirida depois do parto é habitualmente benigna e a incidência de complicações e óbitos nessas circunstâncias não parece ser maior do que em crianças de outras idades.

No que tange as complicações da varicela, as infecções bacterianas secundárias (impetigo, celulite e abscesso) constituem as mais frequentes em crianças sadias, particularmente lactentes e pré-escolares. Ademais podem ocorrer outras complicações como acometimento pulmonar (pneumonia), acometimento do sistema nervoso central (cerebelite e encefalite), síndrome de Reye  e outras raras complicações  como as renais (glomerulonefrite) e as cardíacas (miocardite e pericardite).

Vale a pena perceber que a catapora, do tupi guarani - origem da palavra, quer dizer "fogo" (tata) que salta ou irrompe (pora) na pele, não mata. Mas a varicela hemorrágica é letal. Qual é a proporção da hemorrágica na contagiosa catapora é uma estatística que está oculta no SINAN e em breve a gente te informa através da assessoria do Ministério da Saúde. Aline, assessora de imprensa do Ministério, explica que a doença fetal, hemorrágica, começa na varicela comum.

No livro Consultório Pediátrico, a informação é a seguinte: "na maioria das vezes, a doença decorre sem problemas. Contudo, em caso de deficiência imunológica ou eczema grave deve-se, por precaução, consultar um médico". Veja mais abaixo:

As complicações são raras. As manifestações são intensas em crianças com disposição para neurodermite. Há riscos para pessoas imunodeficientes e recém-nascidos cujas mães tenham contraído a varicela pouco antes do parto.

É importante acrescentar que o livro Consultório Pediátrico apresenta uma visão diferente da tradicional que vê a doença somente como um problema. "deve-se considerar também o sentido que essa doença tem em relação à estabilidade saudável da criança. As doenças infecciosas - como é o caso da catapora - nos colocam diante de um conjunto de processos de "invasão" e de "defesa" que apresenta uma sincronia surpreendente e precisa, evoluindo no tempo de acordo com certas leis, até atingir a cura".

O alerta do livro Consultório Pediátrico, além do público potencial escrito acima, está na doença quando manifestada em hospitais, neste caso, a doença - em si inofensiva - passa a ser temida devido à sua rápida transmissão por meio de correntes de ar e pelo número de pacientes imunodeficientes internados. Ou seja, não dá pra brincar de catapora e, muito menos, celebrá-la como acontece no exterior ( leia abaixo o absurdo que Sueli já presenciou na sua vida de estrangeira)

Eu conclui que a catapora, retratada pelos índios com fogo da febre e os saltos da bolinha pede descanso apenas. Mas é bom lembrar que a vacina é oferecida e recomendada (não é obrigatório) pelo Ministério da Saúde no formato tetra viral. Ou seja, optar por não vacinar seu filho de catapora no Brasil envolve decidir em não vaciná-lo em caxumba, rubéola e sarampo. Outra coisa é bom verificar as leis municipais e estaduais antes dessa tomada de decisão, pois os municípios e estados podem utilizar critérios condicionais para incentivar a vacinação, tornando a de caráter obrigatório. Mais um detalhe: o ECA prevê o direito da criança à vacina.

Por Sueli Sueshi





Já escutou falar da "festa da catapora"? Não, então vamos lá. Antes da vacina contra varicela ser introduzida,  até meados dos anos 90 esse tipo de festa foi bastante comum nos Estados Unidos. O objetivo da festa da catapora é expor a criança ao vírus, com a crença de que a doença vai se manifestar de forma mais branda e imunizá-la contra a catapora.

Os pais que optam por isso acreditam que essa é forma mais natural de expor os filhos à doença e, também, bem menos arriscada que a vacina.

Mas é seguro mesmo? A resposta é simples: não, principalmente porque não se pode antecipar a reação da criança ao vírus. Enquanto são divulgados casos e mais casos de sucesso, não se escuta falar do que deu errado nessas festas da catapora.

Aqui em Bruxelas, por exemplo, também existem as tais festas. Infelizmente, uma das mães do nosso grupo decidiu levar os três filhos. A mais velha, de quatro anos, teve uma reação horrível e chegou a entrar em coma. Hoje, ela esta fora de perigo, mas precisa reaprender a andar e a falar... Se soubesse disso, dificilmente essa mãe participaria da tal festa.

A polêmica que envolve festas como essa vão além de ser contra a vacina ou agir com responsabilidade ou irresponsabilidade. O perigo está exatamente na falta de informação e de relatos do que deu errado porque ninguém imagina que fará parte das estatísticas negativas relacionadas à doença. Veja abaixo uma pesquisa que fiz com informações básicas da vacina de varicela:

O que é a varicela (catapora)?
É uma doença contagiosa, geralmente benigna, causada pelo vírus Varicela-Zóster, o mesmo que causa a herpes (cobreiro) no adulto.  A incidência é maior na infância e, uma vez que a pessoa a adquire, fica imunizada para toda a vida. Num quadro típico, a criança tem a pele coberta por erupções - entre 300 e 500 bolhas vermelhas - que, posteriormente, formam crostas que coçam bastante. Vale dizer que as erupções parecem com mapa celeste.

Contágio da catapora: a transmissão da doença acontece por meio do líquido que sai da erupção da pele, saliva ou secreções respiratórias. O período de incubação é de aproximadamente 15 dias, sendo que a recuperação pode levar até 10 dias.
Incubação: 11 a 21 dias.
Suscetibilidade: o contágio se faz com o vento através de portas e janelas abertas. Raramente ocorre a imunização silenciosa.

Sintomas da catapora:
Os primeiros sintomas da catapora são febre entre 37,5º e 39,5º, cansaço, dor de cabeça e mal estar, seguido pelo aparecimento de bolhas vermelhas na pele que, depois, se transformam em crostas provocando uma intensa coceira.

Tratamento da catapora
Por ser uma doença transmitida por vírus, não existe um tratamento indicado. A intervenção visa apenas aliviar o mal estar, diminuir a febre e, principalmente, evitar que as lesões da pele sejam contaminadas por bactérias. Por isso, recomenda-se não coçar ou tirar as crostas.



Quem criou a vacina contra varicela? Em 1963, o médico japonês Michiaki Takahashi se mudou para Houston, nos Estados Unidos, com a mulher e dois filhos para aprofundar estudos que relacionavam o câncer ao vírus.
Michiaki Takahashi, médico que criou a vacina contra varicela
O interesse em descobrir a vacina contra a varicela foi incentivado por razões pessoais: um dos filhos de Takahashi contraiu a doença da filha da vizinha. Depois disso, o médico se convenceu de que deveria usar o conhecimento que tinha para desenvolver uma vacina. Quando retornou ao Japão, em 1965, ele começou a pesquisar sobre o assunto.

Na época, ele precisou provar que a vacina contra varicela não era cancerígena e nem a única responsável pelo surgimento da herpes na vida adulta. O estudo durou cerca de quatro anos e foi feito com o uso de células-tronco embrionárias.

Quando Takahashi iniciou as pesquisas da vacina contra varicela, em 1970, as vacinas contra sarampo, rubéola e caxumba já haviam sido desenvolvidas. Os estudos clínicos começaram em 1972, nove anos depois do filho de Takahashi ter contraído a doença.

A vacina contra varicela é mais cara se comparada às vacinas contra sarampo, rubéola e caxumba. Por isso alguns países, como o Reino Unido por exemplo, optaram por não torná-la obrigatória, primeiro por causa do alto custo, segundo pelo medo da vacina levar ao surgimento da herpes na vida adulta.

Takahahi, que morreu em dezembro do ano passado aos 85 anos, acredita que a vacina conseguiu controlar o surto de varicela e, futuramente, amenizará os sintomas mais severos da doença e reduzirá o número de casos de herpes.

**Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda duas doses da vacina após um ano de idade, sendo que em caso de risco (surto ou exposição familiar) a primeira dose pode ser aplicada aos nove meses de idade.

Efeitos secundários da vacina contra catapora - Assim como qualquer medicamento, as vacinas também podem causar efeitos secundários. No caso da catapora, o paciente pode sofrer reações alérgicas severas e, em casos bastante raros, até mesmo a morte. Os efeitos mais comuns, especialmente depois da primeira dose, são inflamação e dor na área onde foi aplicada a vacina, febre e possíveis erupções. Também já foram registrados casos de convulsões em função da febre e pneumonia. Em todos os casos, é recomendado procurar um médico o mais rápido possível.

Pra concluir, em breve, nós publicaremos um post sobre a segunda pergunta: faz mal inserir tanta toxina numa única vacina?

Se você gostou deste post, contribua com uma doação de qualquer quantia para que possamos continuar a produzir mais posts sobre vacinação e doenças infecciosas neste ano de 2014.

 Rebirthing Brasil é o termo utilizado em inglês para abordar a técnica de respiração consciente de energia difundida por Leonard Orr, que envolve respirar ar assim como energia, ou prana. A técnica é muito simples e efetiva: basta inspirar e expirar sem intervalos. Mas colocá-la em prática envolve conhecer um pouco da filosofia de vida desse norte-americano. Vale informar que a técnica é ministrada por terapeutas treinados, conhecidos como Renascedores, os quais geralmente passaram no mínimo por 10 sessões de renascimento.

Eu fiz três sessões de renascimento, durante meu retiro no Instituto de Renascimento, realizado entre os dias 28 de fevereiro a 2 de março na cidade de São Francisco do Sul, onde conheci pessoalmente Leonard Orr. Essa vivência fez parte da minha pesquisa para escrever as reportagens da primeira revista do Projeto Clarear e a razão pela qual investi nesta técnica foi pela sua eficácia em acessar nossos traumas de nascimento. Quando aceitei o conselho da presidente da ANEP Brasil, Carla Machado, eu não sabia da sua eficácia. Só depois que vivenciei a técnica é que entendi o quanto a respiração consciente nos conecta com as impressões que marcam nossas células e definem nossos comportamentos.

O maior paradigma, entretanto, que enfrentei durante o retiro foi lidar com a imortalidade física. Leonard pesquisa a vida de imortais e afirma que já conheceu vários deles espalhados pelo mundo, cujas idades são acima de 300 anos. Minha primeira reação ao me deparar com essa informação foi negá-la, depois passei a ridicularizá-la e só consegui aceitar a imortalidade quando comecei a ler sobre a ânsia inconsciente de morte. "As pessoas não parecem perceber que elas criam a sua própria morte de acordo com a sua tradição familiar", explica Leonard em sua apostila Rebirthing Brasil.
Questionar a morte, pra mim, era algo inconcebível já que fui criada por uma tradição católica e ainda carregava o silêncio e o tabu do suicídio do meu avô paterno. Aos poucos, no entanto, eu consegui ouvir o discurso de Leonard e prestar atenção na verdade que ele traz para minhas angústias, meus traumas e  o lugar de vítima que assumo quando não aceito a imortalidade.
Fui entrando em contato com uma série de crenças que carrego no meu corpo e permitindo oxigená-las com o conhecimento que Leonard Orr propaga em suas palestras e isso me trouxe capacidade para olhar para a vida e a morte como uma só. A principal luz, no entanto, que acendeu em mim durante o retiro foi a consciência da minha divindade natural e consegui acessar isso através da imagem de Babaji, cujo nome e a história nunca tinha ouvido falar antes do retiro. "Quando eu aceito que sou babaji, eu aceito que o outro seja babaji". Logo, eu aceito que todos somos divinos. Apesar da experiência forte de vivenciar essa divindade natural ainda reluto com muita vergonha e medo de escrever sobre isso. Ou seja, ainda preciso respirar muita energia para me apropriar de tantos insights vivenciados a partir desta técnica.

É importante ressaltar também que a filosofia de Leonard Orr nos coloca a imortalidade física como ponto de chegada para quem realiza práticas espirituais com água, fogo, ar e terra. São através das práticas com os quatro elementos que conseguimos vencer o trauma da ânsia inconsciente de morte assim como do nascimento, da síndrome da desaprovação parental, da Lei Pessoal e Negativos Específicos, da Memória de vidas passadas, trauma escolar, trauma religioso, senilidade, supressão do feminino e síndrome do salvador do mundo.

Este é o quarto post escrito para o projeto Clarear financiado por 158 benfeitores no modelo crowdfunding pelo site da Benfeitoria.
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Acabo de sair de uma roda, que é de todos nós: uma ciranda de filmes. Lá, eu ouvi de novo Luiza Lameirão, conheci e saboreei muito Lydia Hortélio, reencontrei Ana Thomaz, ouvi com atenção Ana Lúcia Vilela, descobri Regina Migliori e fiquei muita grata a Germán Doin. Preenchi tantos buracos em mim e abri milhares de janelas e portas. Uma delas aponta para a minha escola. Não aquela que eu vivi quando criança, mas aquela que eu construiu dentro de mim. Eu não sei o porquê minha filha teve de ir para o mundo waldorf, mas eu sei porque eu a escolhi. Agora, eu sei!

Ela é a escola que eu preciso desconstruir em mim...
Na semana passada, eu vivenciei um encontro muito forte com pessoas que eu admiro e uma maioria que eu desconheço. Me senti forte, inteira, mas principalmente ouvida. Toda minha dor estava no palco apresentada em forma de pesquisa, mas ainda assim eu não tinha ideia do quanto aquilo era eu. Só estava satisfeita porque identifiquei minhas lamentações e críticas no outro. Eu ouvia uma pesquisa que dizia tudo que eu queria dizer e um outro tudo que eu sentia, mas eu ainda não sabia dizer. Ou seja, minha felicidade era puramente egoísta, mesquinha e de quem se encontra no lugar de vítima. Mas eu não via isso. Via apenas o eco: ufa, alguém, enfim, me ouviu...

Até percebi algo estranho no meio do caminho quando deparei com a minha raiva manifestada no lugar errado num passeio de classe, mas não cheguei a estranhar que: eu me sentia ouvida, mas continuava com raiva, porque? Foi só hoje nessa ciranda acesa que pude olhar pro fogo e me reconhecer nos desafios da pedagogia waldorf. Sei o quanto é clichê esse espelho, inclusive passei por esse raciocínio numa das práticas do evento realizado pela FEWB , cujo título era Reflexões sobre a Pedagogia Waldorf, mas é renascedor perceber esse clichê com corpo e com a alma. É pura luz, ou melhor, faíscas pulando como pipoca.

A faísca que está mais acesa em mim é o dialogo - ou melhor, a falta dele. É a carência do diálogo que ressalta aos meus olhos quando olho pra escola da minha filha e para o que as escolas antroposóficas fizeram com a prática da pedagogia waldorf. O desafio da comunicação transborda de tão explosivo, sinto cheiro de medo, vejo barreiras que estacam a fluidez, mas o que mais grita em mim é a oxigenação.

Ouvi de Luiza que o dialogo tem a ver com respirar e isso me remete direto ao novo. Respirar, oxigenar é trazer ar novo, é renascer e isso exige morte, exige quebrar ovos, exige sair da civilidade, do dogma e do conforto. Eu só consigo ver isso porque vivencio essa dificuldade: sou jornalista, vivo da comunicação, meu sustento, minha relação com a terra está no dialogo, porém, sou pouco compreendida. Por mais que eu falo o que eu quero, eu não consigo comunicar de forma eficiente para que haja mudança. Ou seja, muito conhecimento e mesmo com prática, pouca mudança. Falta coisa...O quê? Talvez, abandonar as certezas. Interagir envolve mergulhar no desconhecido, ficar perdido...dizer sei lá - eis aí, meu nome!

Outra crença minha que vejo na escola da minha filha é o dinheiro, eita bichinho danado de prender e carregar coisa velha, de segurar segurança, de guardar esteriótipos, de impor papel pra rico e pobre. O pior é que a danada da crença mercantil dói e machuca, então, a maioria opta pelo tabu, o silêncio e o quanto de máscaras se usa pra fingir que existe um bem comum. Ninguém quer se desestruturar neste âmbito e o pacto perpetua cada vez mais pesado e silencioso.

A boa notícia é que eu vou entrar em tratamento coletivo. Faço parte do grupo escolhido para olhar para os desafios apontados pela pesquisa da Federação e, agora, mais que nunca quero me desconstruir, cansei de me fixar porque me ninaram com a cantiga: "pau que nasce torto, não tem jeito, morre torto"...

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Essa é uma frase de Ana Thomaz.
Uma mulher que pratica a verdade!

É inspirador observar, interagir e encontrar com aquilo que Ana propõe e faz. A diferença entre Ana e a maioria das pessoas que conheço é que ela coloca em prática. Ela investe na vivência, ela aposta na potência humana que está nela e isso torna tudo possível. Isso é a magia de ser humano!

Ana faz acontecer a perfeição dela e deixa claro a nossa potência. Não dá pra encontrar Ana nesta vida e ignorar o movimento, a ação, a possibilidade. Podemos até mantermos parados, mas Ana nos toca na nossa potência. Ana abre caminhos e a gente enxerga aquilo que é nosso e que pode ser desbravado pela prática.

O primeiro dia que eu a vi foi na platéia de Laura Gutman, eu estava com meus hormônios pós-parto em plena ebulição. Falei com mulheres que, talvez, eu nunca terei a chance de saber quem eram e o quanto eu poderia aprender com elas. Vivia um estado de perguntas, dúvidas e dores. Sentia o palco no mundo, achei tudo muito supérfluo, mas senti força, muita força. Decidi ali que a mulher que podia me ajudar era Ana.

 Cheguei na sua casa com uma pauta pronta, um olhar fixo e uma meta a ser cumprida. Ana bagunçou meu coreto, mostrou me a mim mesma e a partir dali eu tenho visto, sim, a minha verdade. Já tive pânico, medo, muita arrogância, orgulho, chorei, ahhhhhhhhhhh quanto pessimismo e crença a serem desvendados...Mas desde que me encontrei com Ana não pude mais negar a prática, não pude mais ignorar a vida e, o melhor, não consigo mais fingir que o negócio não é comigo. O mundo ficou cheio de sinais!




Eu me sinto comprometida com algumas verdades, mas demorei pra entender que a luta que travei com algumas delas me tirou do caminho da prática. Hoje sei que o caminho é e ponto final. Isso é leve, não exige guerra. Entender isso, ás vezes, me traz dúvidas práticas, mas o corpo sempre avisa o conflito.

Muita dor de cabeça, dores nas costas e falta de ar...O corpo sempre avisa e o universo sempre te aponta: terra, água, ar e fogo. É preciso praticar terra, água, ar e fogo. Eu ando tentando, mais falhando do que conseguindo agir de acordo com a minha verdade, mas já vejo e sinto a leveza e a divindade: obrigada, Ana, pelo meu encontro com a verdade!
Quando comecei a pesquisar sobre o histórico das profissões relacionadas ao parto e ler os livros de epigenética, de Bruce Lipton, não tinha ideia de que a mensagem principal do primeiro artigo do projeto Clarear ( publicado no ISSUU) era de liberdade de escolha da mulher e, consequentemente, da família. Foi a história de Madame Durocher que deixou claro, pra mim, a importância de reconhecer o discurso das feministas relacionado à submissão da mulher ao poder masculino na hora do parto. Só depois de aceitar essa história de luta é que consegui abrir os olhos para enxergar essa relação de poder nos dias de hoje.

Foi um processo de quase cinco anos, que começou com a ojeriza que eu sentia pelo discurso feminista, pois eu o ouvia com ecos do passado cheios de dores e horrores pela igualdade de sexos. Exemplo? Pra mim, o sentido está na diferença dos sexos. Não podia negar a potência biológica, que representava minha vagina e meu peito, depois que virei mãe e não podia negar a potência biológica, que representava a ausência de peito e de um canal vaginal, no meu marido depois que ele virou pai. Nossas diferenças davam sentido a vida da nossa filha. E mais: o reconhecimento das nossas diferenças foi o que permitiu encontrarmos o caminho da educação das nossas filhas. Então, eu sou a favor da diferença, e não da igualdade!

Mas ainda assim o discurso da igualdade de direitos fazia ( e faz) todo sentido pra minha vida de mãe! Aliás, minha opção em ser mãe exigia de mim uma busca por direitos trabalhistas, monetários, sociais e civis. Eu sentia uma carência imensa na pele com cheiro de muita injustiça. Aliás, eu ainda sinto o cheiro tão forte (quase uma poluição) da injustiça. Já a carência tem se reduzido apenas aos direitos sociais, que uma mãe deveria ter pra criar seu filho de forma saudável. Fui, então, abrindo as portas dos papéis da mulher, que tinham sido impregnados na minha pele e me descobrindo ora submissa, ora exploradora. E, assim, fui me limpando dessa relação de poder, o que ( ufa!) tem me permitido, ás vezes, me sentir e ser independente. Ou seja, livre!

Minha vivência me ensinou que eu precisava "engolir" a luta feminista ( no sentido de internalizá-la, reconhecendo a importância dela no passado e minha gratidão por essas mulheres pelas conquistas e vitórias que permitiram ser quem eu sou e estar onde estou) para poder me tornar independente e livre dessa luta. Talvez eu ainda tenha muita coisa pra engolir, colocar pra dentro e reconhecer pra transformar, mas o fato é que já vejo esse processo na minha caminhada materna de mulher e tenho certeza absoluta de que o caminho é a liberdade de escolha!

É por essa liberdade que me interesso por eventos como o do dia 13 de março, cujo tema principal era "A Saúde da Mulher na Sáude Pública: 30 Anos de PAISM", onde tive a oportunidade de gravar vídeos com a doutoranda e ativista Deborah Delage e a professora e orientadora Simone Diniz para o projeto Clarear.
O evento foi um oportunidade de rever o filme Renascimento do Parto, encontrar com tema da vacinação e, principalmente, marcar o fim deste ciclo que acabo de descrevê-lo para você no meu desabafo acima. Isso, pra mim, é extremamente importante ser partilhado, no formato de post reflexivo, porque sinaliza a você, leitor, o meu processo interno e deixa claro de onde eu falo quando escrevo as reportagens da primeira revista, cuja pergunta principal é "Estou grávida, o que devo saber agora?".

Outra razão pra ficar nua, aqui e agora, é para mostrar a você o preparo que considero necessário pra escrever o artigo que estou desenvolvendo para grávidas. Sem essa limpeza ( no sentido de desabafar os textos emocionais e reflexivos) não me considero preparada para escrever o que quero (e acho justo) para grávidas. Essa é a principal razão do projeto Clarear ter tantos canais de informação ( Mamatraca, ISSUU, blog Projeto Clarear, a revista, rodas de conversa e aqui), pois cada um deles tem um papel diferente do outro. O Desabafo de Mãe é o lugar do diário de uma jornalista, que se propõe a desabafar suas transformações na jornada de produzir conteúdo independente e de credibilidade a famílias gestantes.

Eu não considero relevante trazer à tona a gestantes esta relação de poder, que vivenciei na minha trajetória de grávida e mulher nem acho que tal reflexão contribuirá para um nascimento digno do seu filho, mas considero crucial que toda sociedade, principalmente as mulheres, reflita e reconheça essa relação de poder existente na hora do parto, que ainda repete o processo de submissão e exploração tão difundido pelas feministas do século passado no âmbito do trabalho e privado. Ou seja, a luta continua, porém, em outro espaço. A relação de poder se mantém, porém, com outros personagens. Acredito, no entanto, que o caminho é pela confiança e afeto. Jamais pela desconfiança, ameaça e medo. Sinto que o desafio é acreditarmos na existência humana!

Qual mensagem do evento "A Saúde da Mulher na saúde pública: 30 Anos do PAISM"?
Entendi que houve um retrocesso dos anos 80 pra cá, mas nem todas as pesquisadoras concordam com essa visão. Houve gente no palco que considerava a política atual uma oportunidade para mudarmos o cenário caótico, carente e violento, que temos no nosso sistema de saúde nacional de assistência ao parto e à mulher. Veja o vídeo abaixo de Simone Diniz, entenda onde houve o retrocesso e reflita o que você pensa sobre isso:



Em breve, você poderá ter acesso ao vídeo editado com a doutoranda Deborah Delage no site Mamatraca. Neste vídeo, Deborah explica três pontos: o que é o PAISM; a diferença da diretriz política dos anos 80 com a atual e o papel de cada uma de nós para mudança que precisa ser feita agora no sistema de saúde do Brasil. É crucial que eu e você entenda a importância do nosso papel como cidadão para a evolução destes mecanismos políticos. Enquanto continuamos ausentes, ignorando a Saúde da Mulher, as lacunas serão mantidas e tudo que for construído não terá força suficiente pra ficar em pé. O PAISM do futuro precisa de você agora!

*Este é o terceiro post escrito para o projeto Clarear financiado por 158 benfeitores no modelo crowdfunding pelo site da Benfeitoria.
Eu nunca questionei as razões pelas quais lia tanto a expressão "evidências científicas" no discurso das ativistas da PP, das profissionais do Parto Humanizado ou de outros movimentos relacionados ao parto. Na minha pobre arrogância, achava que era pela quantidade de pesquisadores existentes no movimento e também como um recurso pra dar credibilidade à causa. Pura ignorância! Só mesmo o Clarear para trazer luz a minha arrogância e ignorância, transformando-as nessa nova pergunta que partilho contigo: Por que usa-se tanto a expressão "evidências científicas" no movimento do parto humanizado? 


Pasmem, mas o motivo é porque não se pratica medicina baseada em evidências científicas no Brasil. As condutas dos obstetras, neonatologistas e enfermeiras obstétricas, assim como de todo restante dos profissionais de saúde, são tomadas a partir da sua própria experiência. Existem exceções, mas a grande maioria dos profissionais de saúde ignora as evidências científicas.

Só fui dar a atenção necessária a essa informação quando li o livro de Ric Jones e entendi a tese da antropóloga Robbie Davis-Floyd sobre a ritualística do parto. Ric Jones é um obstetra brasileiro que conta neste livro um pouco da transformação que teve para tornar-se um dos profissionais conhecidos e ativistas do parto humanizado.

O que chamou a minha atenção, no relato de Ric Jones, é a  cultura pela veneração ao mestre, ao médico-que-sabe-tudo, o qual torna-se mais persuasivo que a própria ciência. Essa é uma das razões pela qual todo médico ignora a evidência científica.

Esta relação de respeito e admiração é um dos pontos mais fáceis da gente compreender o porquê cada médico diagnostica aquela dor da sua avó, ou sua, de um jeito. Ou seja, cada um tem um diagnóstico. A grande maioria deles não diagnostica baseado em evidências científicas, por isso, o diagnostico é tão diferente.

Pesquisa realizada por doutorando em 77 hospitais de São Paulo sobre a conduta em casos de AVC mostra que somente 14% dos 271 médicos entrevistados fizeram um diagnóstico recomendado. Quase 37% fizeram um diagnóstico inadequado e potencialmente prejudicial a saúde do paciente. Detalhe: 90% dos tratamentos eram inadequados.

SBE, o que é isso?
Saúde baseada em Evidências é o termo utilizado para tratar desse desafio cultural. Participei de um curso ontem na Cochrane do Brasil para entender melhor essa carência das "evidências científicas" na prática e descobri que a razão pela qual nossos partos são feitos pela conduta baseada somente na experiência também é uma questão histórica. E, detalhe, uma história de conflitos.

Evidência científica é resultado de um trabalho que envolve conhecimento em epidemiologia, estatística e medicina. Leia-se misturar água e vinho, pois epidemiologia e medicina não se bate desde dos anos 80. É o típico conflito profissional, cheio de vaidades, que não se pode misturar, conhece? Ou isso, ou aquilo.

Toda profissão tem isso. No caso da saúde, quem era médico e fazia clínica não era bem visto se virasse epidemiólogo, e vice-versa. Parece que a sigla SBE (Saúde Baseada em Evidência) não carrega os sentimentos dessa história, apesar de ser a união de ambas especialidades: ciência + prática clínica+ ambiente do paciente.

O que você vai fazer com isso?
Bem, essa é a pergunta que me faço todo dia quando penso como levar essa informação às grávidas sem criar mais pânico e ameaça. Eu acho que  ter consciência de que os profissionais de saúde não tomam suas decisões baseadas em evidência científica por questões culturais e históricas nos dá a chance de mudar esse hábito. E mais: nos dá chance de entender alguns discursos que nos soam muito radicais, pois se há obstetras que decidem por uma cesárea pela sua experiência, e não pela evidência, há sim muitas razões para essa causa pelo parto humanizado.

Mas, no dia a dia, o que a grávida pode fazer para não ser vítima de uma conduta inadequada? Ela pode até verificar nas bibliotecas da Cochrane as evidências científicas, mas é trabalhoso e exige muito conhecimento pra ela fazer essa pesquisa. Então, eu recomendo que você, grávida, dialogue com seu médico, confie nesta relação e pergunte se aquela conduta está baseada em evidência científica.

Se você tem medo ou vergonha de ter este tipo de conversa com seu obstetra particular é porque você está vivenciando a energia de poder que envolve esse hábito cultural. Não é culpa do seu médico nem sua, mas há profissionais que já fizeram essa limpeza energética e já não se relaciona mais com suas gestantes como pacientes, mas sim como autoras da sua gestação e, portanto, com direitos à informação.

Fiz uma entrevista com a Dra. Rachel Riera sobre este assunto que será publicada em breve no site Mamatraca.

Esse é meu segundo post financiado pelos 158 benfeitores do projeto e foi escrito a partir da minha presença no curso da Cochrane do Brasil.
Para quem não sabe, hoje é o Dia Nacional da Poesia, um gênero literário que me agrada muito e, também, ideal para prender a atenção das crianças, especialmente as mais novas. Por que? Versos curtos, muitas vezes rimados, que contam histórias interessantes e bem humoradas.

A escolha do livro de poesias vai depender muito da idade da criança, mas adianto que não existem regras. Quando Tomás tinha um pouco mais de dois anos li Where the Sidewalk Ends, de Shel Silverstein. Ele adorou, fez milhares de perguntas e queria caminhar até o tal lugar onde a calçada acaba. 

O texto de Silverstein incentivou a imaginação dele... e para mim, essa é a grande surpresa que se esconde atrás dos versos curtos e das palavras bem escolhidas de um bom poema.

Se ainda não se convenceu, confira os vídeos abaixo inspirados nas poesias infantis de Cecília Meireles. Se ficar fã, volte aqui para contar o que seu filho achou!

A Língua do Nhem, de Cecília Meireles.




A Bailarina, de Cecília Meireles.



Gostou dos vídeos? Então, agora, leia o poema abaixo para seu pequeno!